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© 2022 Amazonas Atual
Variedades

‘Terremotos’ leva público a decidir destino de personagens

4 de março de 2022 Variedades
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Virginia Cavendish, Paloma Bernardi e Bruna Guerin em imagem de divulgação da peça ‘Terremotos’ (Foto: Priscila Prade/Divulgação)
Por Marina Lourenço, da Folhapress

SÃO PAULO – “Terremotos” é o tipo de peça em que o espectador é quem realmente decide quais ações dos personagens merecem sua atenção. Num só palco, há vários planos simultâneos narrando diferentes acontecimentos de uma mesma história, atravessada pelo exagero cênico das obras do dramaturgo britânico Mike Bartlett.

Três irmãs e um pai centralizam quatro narrativas que se entrelaçam e são contadas lado a lado, com revezamento de diálogos. Além dos quatro atores que dão vida a esses personagens, outros 28 compõem a peça, que estreia agora, e fica em cartaz até junho, no teatro Sesi São Paulo.

Embora o texto original seja explicitamente uma crítica à gestão política de Londres, a versão brasileira do espetáculo, de Marco Antônio Pâmio, dispensa quaisquer regionalismos e propõe uma crítica voltada às grandes metrópoles do mundo e a seus polos de poder negligentes com o meio ambiente.

Imersa em discussões contemporâneas sobre as mudanças climáticas –e seus conflitos políticos, econômicos e sociais–, a peça é uma história de ficção que se desenvolve a partir de uma grande descoberta científica que pode mudar o planeta.

Nos anos 1960, um cientista consagrado no meio acadêmico constatou caóticas consequências do excesso de voos de aviões, que agrava o aquecimento global. Suas pesquisas apontavam que, se nada mudasse em relação à emissão de gases do transporte, logo haveria uma destruição praticamente completa da Terra. O estudo, porém, ficou guardado a sete chaves depois de ele ser subornado por um gigante do setor aéreo com uma farta quantia de dinheiro.

É só décadas depois, com três filhas já adultas, que ele vê tudo, novamente, vir à tona, mas não de um jeito sutil ou restrito ao contexto acadêmico. Dessa vez, os fatos aparecem aos poucos, naturalmente, num perigoso terremoto que se aproxima.

Enquanto Maya, papel de Paloma Bernardi, se sente apavorada com as previsões sobre o fenômeno e vive uma crise por sua gravidez, suas irmãs experimentam outras sensações. Sara, interpretada por Virgínia Cavendish, é ministra do Meio Ambiente de um governo recém-eleito que ignora as estatísticas alarmantes do terremoto, e Yasmin, vivida por Bruna Guerin, é uma jovem universitária que está preocupada demais com sua juventude para temer um terremoto fatal.

Além da questão central que paira sobre o negacionismo e os riscos das mudanças climáticas, “Terremotos” também explora o abandono paterno, que atinge as três protagonistas, criadas sem um pai presente, em suas vitórias e derrotas.

É como se cada uma delas vivesse um pequeno terremoto interno causado pelas lacunas da família, sempre cheia de desentendimentos e desunião.

Segundo Cavendish, o que realmente une as irmãs, além dos laços genéticos, é esse vácuo paterno do mesmo cientista que também virou as costas para o planeta quando preferiu encher o bolso de dinheiro a evitar inúmeras mortes.

“Existe uma mistura de temáticas com uma linguagem dramatúrgica muito ágil e dinâmica, rápida”, diz Pâmio, o diretor, que conheceu a peça justamente quando Bartlett a estreou, em 2010, em Londres, no Teatro Nacional da Inglaterra.

“Fiquei tão apaixonado pelo texto que comprei [os direitos da peça] antes de voltar ao Brasil”, conta ele. “Anos depois, encontrei o Bartlett no teatro Sesi, e conversamos sobre ‘Terremotos'”.

O grande desafio em transpor o exagero cênico de Bartlett para os palcos brasileiros em 2022, segundo Pâmio, é o tamanho do elenco, que tem 30 atores, diante das incertezas pandêmicas, que vira e mexe alteram as medidas sanitárias dos espaços culturais.

Da mesma forma que em “Love, Love, Love” e “Contrações” –ambas do dramaturgo britânico–, “Terremotos” tem um ritmo frenético, cortes abruptos e idas e vindas.

No decorrer das cenas, quatro grandes cubos metálicos vazados acompanham as coreografias do espetáculo, que é dividido em cinco atos. E, embora não seja um musical, tem uma trilha sonora pop que faz os 30 atores dançarem juntos em mais de um momento.

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Assuntos terremoto
Murilo Rodrigues 4 de março de 2022
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