
Do ATUAL
MANAUS — Após matar o próprio filho, de 3 anos, e fugir, Fernando Batista de Melo, de 48 anos, adotou diversas táticas para tentar despistar as forças de segurança em Manaus. Segundo a polícia, o comportamento do suspeito incluiu disfarces, encenação e o uso de esconderijos em áreas de mata. Ele foi preso na manhã deste sábado (24) em uma área de mata no bairro Planalto, zona oeste da capital, com ferimentos superficiais nos braços, que, de acordo com a Polícia Civil, não configuram tentativa de suicídio e fizeram parte de uma encenação para tentar se passar por vítima.
De acordo com o subcomandante-geral da Polícia Militar, coronel Thiago Balbi, as buscas se concentraram na região do Parque Mosaico, na zona oeste, atrás de um cemitério, onde a motocicleta do suspeito foi abandonada.
“Definimos que a área de buscas seria ali naquela região. Recebemos informações de que ele estaria na zona leste, mas acreditávamos que ele estava naquela área de mata [da zona oeste]. Decidimos manter o cerco durante toda a noite para que, pela manhã, as equipes retornassem para continuar as buscas”, explicou Balbi.
Segundo a polícia, a área onde Fernando se escondia equivale a cerca de 111 campos de futebol. Durante o período em que permaneceu foragido, ele enfrentou chuva intensa e condições climáticas desfavoráveis.
“Ele passou o dia inteiro molhado, choveu demais. Tínhamos certeza de que ele estava em condição desfavorável. A estratégia deu certo”, afirmou o subcomandante.
Fernando também tentou despistar os policiais ao ser localizado. No primeiro contato, ele apresentou versões falsas sobre o que fazia no local.
“No primeiro momento, ele disse que estava ali fazendo atividade física. Os policiais não acreditaram, acionaram apoio e confirmaram que se tratava do Fernando”, relatou Balbi.
O homem continha diversos cortes nos braços. A Polícia Civil descartou a hipótese de tentativa de suicídio. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Bruno Fraga, os ferimentos foram superficiais. “Esses pequenos cortes que ele fez no pulso e no punho não configuram tentativa de suicídio. Eles corroboram para a covardia dele”, afirmou.
O delegado Adanor Porto, da DEHS (Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros), explicou que os cortes fizeram parte de uma encenação para tentar se passar por vítima.
“Ele fez aqueles cortes nos braços para tentar se passar por vítima em uma ligação que fez para outro filho que mora fora do país, pedindo perdão. A ligação foi feita por chamada de vídeo, e ele mostrava os cortes, mas não pensou de fato em se matar”, disse.
Ainda segundo Porto, o suspeito relatou que utilizou buracos no chão para se esconder durante as buscas. “Ele mencionou que chegou a cavar buraco para se esconder e disse que as equipes passaram por ele, mas ele estava dentro de um buraco”, relatou o delegado.
Segundo as autoridades, o conjunto das ações demonstra que o suspeito adotou uma estratégia para tentar confundir as forças de segurança após o crime. O caso segue sob investigação.
