Susam receberá remédio em caráter de emergência para tratamento de hepatite C

Da Redação

MANAUS – A Susam (Secretaria de Saúde do Amazonas) deve receber esta semana um lote do ofosbuvir, medicamento usado no tratamento da hepatite C. Segundo a coordenação da Cema (Central de Medicamentos do Amazonas), o Ministério da Saúde autorizou o envio do remédio ao Estado na última quinta-feira, 10. O lote contém 1.316 comprimidos. 

“O órgão ressalta que o pedido foi feito para atender a uma demanda reprimida de pacientes que aguardam pelo medicamento, e que a entrega será realizada a partir desta semana. A Cema informa ainda que o Ministério da Saúde já liberou a entrega de um novo lote do medicamento para o Amazonas, este com vencimento para 2020. Dessa forma, os pacientes não correrão o risco de descontinuidade do tratamento”, comunicou a Susam, em nota.

O tratamento com sofosbuvir ocorre em associação com outro medicamento, o daclatasvir, e dura 12 semanas. 

A liberação do remédio ocorre após problemas de desabastecimento de medicamentos. O problema está na data de validade dos produtos: 28 de fevereiro de 2019. A data gerou protestos de coordenadores de programas estaduais de controle da hepatite C, para quem a distribuição é inviável dentro desse prazo. O impasse foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Nesta semana, a pasta enviou um ofício aos estados pedindo prioridade na distribuição dos remédios.

Segundo o ministério, a quantidade é suficiente para tratar até 2.000 pacientes por quatro semanas. No documento, o governo recomenda que os medicamentos, previstos para chegar aos estados sejam distribuídos até o dia 25 deste mês. Para Leonardo Vilela, presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde), não há como cumprir este prazo. “É absolutamente impossível”, diz.

Vilela lembra que, em muitas secretarias, a distribuição é descentralizada junto a coordenações regionais de saúde para as farmácias, muitas localizadas a quilômetros de distância. Em seguida, é preciso começar a chamar os pacientes para que busquem os remédios. “Depois disso, muitos deles procuram o médico para receber instruções. É impossível atingir todo o universo de pacientes nesse prazo, e esses medicamentos vão vencer”, arma. “Vamos procurar o ministério e dizer que é inexequível”.  A compra do daclastavir sofreu atrasos e ocorreu apenas no final de 2018. Já os lotes de sofosbuvir em questão haviam sido adquiridos em 2017. Na época, segundo a pasta, 98.840 comprimidos foram comprados ao custo de US$ 49 cada – o que pode fazer com que, caso os comprimidos não sejam distribuídos e usados dentro do prazo, o governo tenha prejuízo equivalente a R$ 18 milhões.

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