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Pontes Filho

Sobre a paternidade responsável

10 de agosto de 2015 Pontes Filho
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A paternidade responsável é algo que também se aprende, inclusive todos dias.

Recordo de excelentes referenciais em minha singela família de pais abnegados, responsáveis e formadores de outros pais.

A paternidade responsável é a mais bela herança que os pais podem deixar a seus filhos, pois isso os conduzirá pelo mundo e frente às mais diversas situações, inclusive quando também forem pais.

Embora seja simples ser mero reprodutor ou/e tão somente provedor, ser pai não é coisa simplória nem tão fácil, ainda mais nestes tempos de tanta confusão e revisão de valores, de crise ética, de crise econômica, de crise política, de crise formacional, de crise de segurança, incluindo riscos de violência e da criminalidade virtual.

Ser pai e mãe responsável tem suas dificuldades e seus desafios peculiares e inerentes a esse nosso tempo.

Num mundo iludido com o consumismo materialista, que mercantilizou o corpo em todas as fases da vida, afundando o nosso tempo na insegurança e na violência, impulsionadas, dentre outras coisas, pela insaciável sede de consumir desenfreadamente sensações de poder, de prazer e tudo o mais que o monetarismo pode comprar, a paternidade responsável é ainda mais imprescindível, essencial e revolucionária.

Se há algo que pode transformar vidas e alterar perspectivas, isso se chama paternidade e maternidade responsável. Embora até aqui não faça parte da estrutura curricular regular das escolas brasileiras, seria muito interessante que se promovessem palestras, aulas, cursos, discussões mais transparentes e esclarecedoras sobre o assunto. É muito difícil vislumbrar alguma perspetiva de convivência socialmente humanizada, tolerante, lícita, pacificamente livre e com vistas ao desenvolvimento coletivo sem o esteio da paternidade e da maternidade responsável.

A decadência da qualidade formacional de instituições básicas, como a família e a escola, permite entender, em grande medida, a crise dos diversos modelos de entidade familiar e ainda compreender as razões pelos quais parcela numericamente significativa da sociedade chega a ilusoriamente considerar a “redução da menoridade penal” como resposta a problemas sociocriminais tão graves.

A difícil realidade da grande maioria das famílias brasileiras e a inteira ausência de programas formacionais que assistam às mesmas, apesar das tantas “bolsas sociais” concedidas, expõe o quanto o Estado tem falhado na realização do projeto de família esculpido pela sociedade brasileira na Constituição Federal/88, em seu art. 226:

“A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.” (caput)

…

“O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.” (§8º)

E o que dizer do cumprimento do art. 227 da mencionada Constituição republicana, fundamento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei nº 8.069/1990):

“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colacá-los a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” (Art. 227/CF)

Tais propósitos tem muito maior chance de se efetivarem, via de regra, quando a família, a sociedade e o Estado podem contar com o apoio e o alicerce do exercício da paternidade responsável.

Particularmente, sinto-me um felizardo, grato por conviver com tão belos educadores, os quais me ensinaram a buscar ser um melhor pai todos os dias, ao lado do desafio de ser também um melhor esposo, amigo, cidadão e profissional.

Em que pese tanta crise socioeconômica e humanitária, tanta violência e tanto belicismo sangrento, seja em nossas cidades seja nas guerras pelo mundo afora, por conta de nossas filhas e filhos, o mundo passa a ter alguma cor, renovam-se esperanças e podemos vislumbar o algo de belo inerente ao processo de aprendizagem e de desenvolvimento humano. Somos capazes de acreditar que podemos ser melhores. E procuramos trabalhar para edificar um mundo melhor para nossas crianças e para todos os filhos e filhas da família humana, em gratidão ao mágico e inestimável presente de ser pai.

Enfim, aproveito para saudar e parabenizar todos os pais pela passagem do “Dia dos Pais”, em alusão à grandiosa tarefa de todos os dias, e sobretudo me solidarizar com aqueles pais que prematuramente perderam seus filhos… e aqueles filhos cujos pais já não estão entre nós. Que a saudade traga as boas lembranças de paz, alegria e esperança. E façam felizes as memórias revisitadas a partir do “Dia dos Pais”!


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Dia dos Pais, família, maternidade, paternidade, Pontes Filho
Valmir Lima 10 de agosto de 2015
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