
EDITORIAL
MANAUS – Algumas pesquisas de intenção de voto de institutos profissionais conseguem capitar os votos para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva próximos de 50%, com chances de ele faturar a eleição no primeiro turno. Por isso, a semana que começa neste domingo será decisiva.
O PT e o candidato do partido a presidente da República estão dispostos a investir todas as cartas nesta semana para convencer o eleitorado de Ciro Gomes (PDT) e de Simone Tebet (MDB) a mudar o voto para que a eleição seja encerrada no primeiro turno, com Lula eleito.
Lula, inclusive, já começou, nas entrevistas e na propaganda eleitoral, a encorajar os eleitores a não desistir de votar; a comparecerem aos locais de votação e não desperdiçarem o voto (votando nulo ou em branco). O discurso é para que escolham um candidato, de preferência ele.
Na pesquisa Datafolha, divulgada na noite de quinta-feira (22), 81% dos entrevistados disseram que já estão decididos e não mudam mais o voto, mas 18% afirmaram que sim, podem escolher outro candidato até o dia da eleição, em 2 de outubro.
Desses 18%, 21% disseram ter Lula como segunda opção de voto. Outros 20% escolheriam Ciro Gomes se decidissem mudar. O presidente Jair Bolsonaro (PL) é citado por 15% como segunda opção de voto.
Esses números mostram como o quadro está indefinido. Os analistas políticos não batem o martelo sobre a vitória de Lula no primeiro turno, apesar de alguns apostarem que ela pode ocorrer.
No entanto, a mesma pesquisa Datafolha mostra um movimento favorável a Lula. Desde maio, quando o Datafolha começou a fazer pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial, Ciro Gomes aparecia no topo da lista do “plano B” dos eleitores. Na semana passada, ele era a segunda opção de voto de 23% dos que ainda poderiam mudar, enquanto Lula era opção de 20%, e Bolsonaro, de 15%. Nesta semana, Ciro perdeu a primeira posição para Lula, enquanto Bolsonaro ficou estacionado em 15%.
Outro dado curioso da pesquisa: enquanto entre os eleitores de Bolsonaro, 88% dizem estar plenamente decididos, e os de Lula, 87%, entre o eleitorado de Ciro Gomes, apenas 46% dizem estar convictos do voto; 54% dizem que podem votar em outro candidato.
E entre os eleitores não convictos de Ciro, 38% disseram que votariam em Lula como segunda opção, enquanto 18% migrariam para Bolsonaro. Outros 13% optariam pelo voto nulo ou branco e 7% não souberam responder.
O foco da campanha de Lula é exatamente a conquista desses 38% somados aos 20% que estão dispostos a anular o voto ou não souberam responder.
A campanha de Bolsonaro, por sua vez, tem dificuldades de conquistar novos eleitores, como mostram as últimas pesquisas de intenção de voto (uma estagnação do presidente). Ele também se mantém no topo da lista dos rejeitados, ou seja, aqueles candidatos em que o eleitor ou a eleitora não votaria de jeito nenhum.
Bolsonaro também já gastou todas as fichas que dispunha para tentar reverter o resultado indicado pelas pesquisas desde o início da campanha. Primeiro foram os programas de distribuição de renda, como Auxílio Brasil, vale gás e auxílio aos caminhoneiros; depois, a queda no preço dos combustíveis. Por fim, a campanha do presidente partiu para o ataque a Lula. Nada foi suficiente para mudar o cenário.
Por isso, a semana será decisiva para a eleição presidencial. O eleitorado precisa estar de olhos bem abertos para as campanhas dos principais candidatos. A disputa pode se encerrar no próximo dia 2 ou ser estendida até o dia 30 de outubro.

