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© 2022 Amazonas Atual
Dia a Dia

Seca no Amazonas afeta poços e município de Envira raciona água

20 de julho de 2024 Dia a Dia
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Seca afeta todos os municípios do Amazonas (Foto: Defesa Civil/Envira/Divulgação)
Seca afeta poços e causa racionamento de água em Envira (Foto: Defesa Civil/Envira/Divulgação)
Por Waldick Junior, do Estadão Conteúdo

MANAUS – Um caminhão improvisado com duas caixas d’água tem sido usado para matar a sede de ao menos 7 mil pessoas que vivem em bairros afetados pela estiagem severa no município de Envira, no Amazonas, a 1,2 mil quilômetros da capital Manaus. O período de seca na Amazônia começou no fim do mês passado e vai até o início de novembro. Até o momento, o Estado já declarou emergência em 20 municípios.

Segundo a Defesa Civil de Envira, um dos quatro poços que abastecem a cidade secou, ocasionando o racionamento. O caminhão tem distribuído até 30 mil litros de água em três bairros afetados, de segunda a sexta-feira. As caixas d’água, porém, só têm capacidade para 10 mil litros. Por isso, são necessárias três idas por dia em cada bairro.

“Começamos com a distribuição de água na segunda, quarta e sexta-feira, mas, com a demanda, agora estamos indo em todos os dias úteis da semana. Pelo nosso cronograma, avaliamos que outro bairro deve entrar na lista”, disse o secretário da pasta, Ismael Dutra, ao Estadão.

Comida e remédios

Outra preocupação é com alimentos. Mais da metade do setor comercial do município é abastecido pelo município de Feijó (AC), com as mercadorias sendo transportadas pelo Rio Envira. “Hoje, ele está medindo 1,15 metro na foz do Jurupari e as embarcações já não estão conseguindo chegar”, afirmou o gestor.

Em 2023, o ápice da seca na região aconteceu em setembro. Neste ano, o cenário mais crítico é visto agora, quando não só falta água na região urbana do município, mas também alimentos e medicamentos no perímetro rural. “Temos pedido há pelo menos dois meses que os ribeirinhos se mudem para a sede do município durante a seca, porque fica muito difícil chegar a essas localidades. Algumas comunidades já estão isoladas. A situação mais crítica é a dos alimentos, porque eles não conseguem pescar, perdem a plantação por falta de água e não conseguem ir até a sede comprar alimentos”, diz o secretário.

De acordo com ele, além das 7 mil pessoas afetadas na zona urbana, há outras 3 mil prejudicadas com a seca na área rural, incluindo populações tradicionais. O total (10 mil) já é mais da metade da população do município (17 mil), segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Uma das comunidades isoladas é a Aldeia Macapá, no Rio Acuraua, que abriga 500 pessoas do povo Kulina. “Não conseguimos ajudar todas as comunidades e precisamos da ajuda dos governos. Antes você chegava lá na Macapá em uma viagem de 4 horas. Hoje essa mesma distância é percorrida em três dias em canoa pequena que só comporta duas pessoas”.

Fato histórico

A seca do ano passado afetou mais de 600 mil pessoas só no Estado do Amazonas, onde todos os 62 municípios declararam situação de emergência. Desde o fim do ano passado, porém, instituições que monitoram a Bacia Amazônica têm alertado para o risco de uma seca tão severa como a de 2023 se repetir neste ano. No início do mês, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) estimou que o nível dos rios pode chegar próximo ou ultrapassar a mínima histórica em 14 estações da região, afetando as bacias dos Rios Madeira, Mearin, Negro, Solimões, Tapajós e Tocantins/Araguai.

“Muito provavelmente vamos ter um período de seca bastante significativo, próximo do que aconteceu em 2023, quando ocorreu a maior estiagem da história da região, considerando que os valores das cotas, neste momento, estão mais baixos do que os níveis registrados no ano passado”, disse o analista do Censipam, Flavio Altieri.

“Tenho 33 anos e nunca vi isso acontecer. A minha mãe, com 64 anos, diz o mesmo. Ver os nossos rios tão secos é algo que mexe muito com a gente. É uma crise humanitária similar ao que o País viu no Rio Grande do Sul. Somos o último município do Amazonas, ficamos muito longe da capital e não estamos acostumados a ver esses fenômenos”, disse Dutra.

Estado

O Governo do Amazonas instituiu um Comitê de Enfrentamento à Estiagem e decretou emergência em 20 municípios – todos localizados nas calhas dos Rios Solimões, Juruá e Purus. Outro decreto colocou 22 municípios e a região metropolitana de Manaus em “situação de emergência ambiental”.

“Nós nos antecipamos. Lá no ano passado, a gente trouxe esse aprendizado: por exemplo, cesta básica, água e filtros, tudo isso já conta com processo licitatório”, informou o governador Wilson Lima (União Brasil).

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Assuntos Amazonas, Defesa Civil, destaque, Envira, racionamento, seca
Cleber Oliveira 20 de julho de 2024
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