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Dia a Dia

Ricardo Salles afirma que Amazônia tem ‘desmatamento relativo zero

4 de julho de 2019 Dia a Dia
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Ricardo salles
“O zero relativo nós já atingimos”, disse Salles à Folha (Foto: Fábio Pozzebom /ABr)

Por Phillipe Watanabe, da Folhapress

SÃO PAULO – Para Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, o Brasil já atingiu o desmatamento zero –pelo menos do ponto de vista relativo. Os últimos dados oficiais –relativos ao período 2017-2018– apontam as maiores taxas de destruição do bioma da última década. 

“Busca-se o zero absoluto ou o zero relativo? O zero relativo nós já atingimos”, disse Salles à Folha.

A afirmação foi feita à reportagem nesta quinta, 4, em São Paulo. O ministro se preparava para participar de evento do Instituto Semeia sobre concessão de parques nacionais. 

Na noite de quarta-feira, 3, Salles disse, em entrevista à Central Globo News, que o desmatamento na Amazônia representava 0,002% do bioma. Hoje, disse que o número real é 0,16%.

“Quando comentei do 0,2 é para termos distinção e perspectivas do que se está falando em termos de volume de desmatamento. Nós já temos um desmatamento que, em números inteiros, já é zero, é 0,2. Então não estamos longe do desmatamento ilegal zero”, afirmou.

O desmatamento anual ao qual o ministro se refere, contudo, é equivalente a área superior à do Distrito Federal.

“Quantos Distritos Federais cabem na Amazônia?”, rebateu. “O que precisamos fazer, dentro desse desmatamento ilegal, é adotar as medidas que forem adequadas para reduzir ainda mais o ilegal. Mas essa melhoria, na nossa opinião, passa por uma melhoria na gestão de recursos”, disse.
Segundo Maurício Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, a matemática do ministro não faz sentido. “É uma área enorme. Fingir que o problema não existe é o primeiro sinal de que não se quer combater o problema. É brincar com dados para fingir que o problema não existe.”

Um dos pontos de reclamação de Salles e do governo Bolsonaro diz respeito a uma suposta publicidade ambiental brasileira negativa no exterior, o que teria como objetivo a criação de barreiras comerciais. 

“A imagem do Brasil não é denegrida. A agropecuária é respeitada lá fora. O que denigre a imagem do país é esse tipo de fala, são os líderes do governo com discursos que não têm consistência nenhuma, que vão contra dados e análises”, afirma Voivodic.

Na tarde de quarta, 3, Salles se encontrou com os embaixadores da Noruega e da Alemanha para discutir mudanças no Fundo Amazônia, iniciativa mantida por doações desses dois países que visa a redução de desmatamento. Para Salles, as perspectivas são de uma solução positiva para o fundo.

Segundo o ministro, o ponto que trava o avanço das conversas quanto ao fundo é a composição do Cofa (Comitê Orientador do Fundo Amazônia).

Salles pretende reduzir os assentos do conselho e aumentar o poder de decisão do governo federal –ação semelhante foi tomada quanto ao Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

“Os doadores entenderam que essa redução tornava muito concentrado o poder. Eles trouxeram uma ideia diferente. Esse meio do caminho que estamos agora”, disse. 

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Assuntos desmatamento, Fundo Amazônia, Ricardo Salles
Redação 4 de julho de 2019
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