
Do ATUAL, com colaboração de Milton Almeida
MANAUS – Espécie da “fauna política”, tucanos lançam mobilização para evitar a própria extinção. Com a escassez de representatividade do PSDB na política, houve simulação de uma ‘revoada’ para o ‘habitat’ do PSD e, depois, para o MDB. O aceno dos tucanos fracassou com ambos. Para evitar o desaparecimento, a resistência tucana paulistas lançou o “Movimento Contra a Extinção do PSDB”. Um abaixo-assinado foi disponibilizado à militância na internet.
“Há pessoas que acreditam que o PSDB não é meramente uma legenda. Ele é um partido com regras claras. É um partido socialdemocrata e tem a sua ideologia própria. Ele não é um partido como costuma se ver aí, partido que dança ao sabor das músicas, entendeu? É governo independentemente de o governo ser de esquerda, de direita, de centro”, diz ao ATUAL Mário Covas Neto, vice-presidente estadual e vice-presidente municipal do partido em São Paulo.
Ser apenas governo levou o PSDB ao ostracismo. Lideranças nacionais como Aécio Neves praticamente desapareceram do cenário político. Geraldo Alckmin, uma popularidade tucana, se manteve governo, mas pelo PSB. Voou do ninho tucano quando percebeu que na “selva’ política, quem se isola desaparece. Ou é engolido por “predadores” partidários mais populares.
É consenso entre a militância tucana que a incorporação do PSDB a outra legenda resultaria no desaparecimento do partido. Uma das ideias aventadas pela cúpula tucana é fundir a legenda com o Podemos ou, mais recentemente, com o Republicanos, ou mesmo fundir com as duas.
Marconi Perillo e Aécio Neves, presidentes, respectivamente, do partido em âmbito nacional e do Instituto Partidário de Formação Política, na mesma linha dos dois únicos governadores tucanos, Eduardo Leite (RS) e Eduardo Riedel (MS), têm negado que a fusão levaria à extinção do PSDB, argumentando que “a história, o legado, o programa, os valores e os princípios do partido estariam preservados”. Segundo Covas Neto, o Movimento considera que esse raciocínio não corresponde à verdade.
“Então, por essas razões, pelo fato de ter sido, já ter tido a presidente da república por dois mandatos, pela criação do plano real, por uma série de ações que ele fez ao longo da sua vida, que essas pessoas, das quais eu me incluo, não se conformam que o partido simplesmente possa acabar. E acabar de uma maneira mais trágica, que é acabar, não pela vontade popular, mas pela vontade de dirigentes que querem”, diz Covas Neto.
“Toda essa história, ela se acabar, é uma coisa que a gente reluta, sabe. A gente não gostaria que acabasse. Isso é uma memória importante. Até pelo que acontece hoje no país. Infelizmente, os partidos estão cada vez menos com identificação. O eleitor tem muita desconfiança mesmo, porque, ora ele está de um lado, ora ele está de outro, ora ele está assim, ora ele está assado”, Acrescenta Mário Covas Neto.
Amazonas
O partido tem 36 anos de fundação e Beth Azize, uma de seus fundadores no Amazonas, foi uma das militantes mais conhecidas. Entre os tucanos amazonenses mais populares, Arthur Virgílio Neto foi o maior representante do PSDB no Estado. Atualmente, o inexpressivo senador Plínio Valério é o único remanescente do ninho tucano no Estado.
Para o Movimento contra a Extinção do PSDB, há apenas uma maneira de o partido evitar a extinção: mantendo intacto o nome da legenda, o número, o manifesto originário e o tucano como símbolo, além de manter resguardada a história, o legado, o programa na sua essência original, os valores e os princípios tucanos, tendo em vista que tais elementos são intrinsecamente inseparáveis do PSDB. A integridade do PSDB, segundo o Movimento, é a garantia de que esses elementos não seriam dissolvidos com o passar do tempo em um eventual novo partido.
Barreira eleitoral
Quase esquecido, a resistência tucana corre contra o tempo para salvar o partido que precisa cumprir a cláusula de barreira – dispositivo legal que restringe ou impede a atuação parlamentar de um partido que não alcança um determinado percentual de votos. A nova geração tucana considera legítimo que o PSDB promova federação com um ou mais partidos, desde que essas legendas se aproximem da linha ideológica tucana.
O grupo também considera legítimo que o PSDB eventualmente incorpore algum outro partido. Nestas duas últimas hipóteses, segundo Covas Neto, o PSDB não perderia sua identidade, ao contrário da fusão com outra legenda ou da incorporação a outro partido.
Com a ascensão da extrema direita representada pelo PL e o centrão fortalecido, a nova geração tucana resiste em abandonar o ninho da social democracia. O abaixo-assinado é a tentativa da militância jovem de atrair filiados e novas lideranças. Com “velhos” tucanos pouco inspiradores ainda no ninho, a petição popular servirá como teste para saber se o PSDB está mesmo fadado à extinção ou conseguirá sobreviver ao darwinismo político.
Confira o abaixo-assinado disponibilizado pelo Movimento.
