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Sérgio Augusto Costa

Representantes de quem?

16 de fevereiro de 2019 Sérgio Augusto Costa
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tiago paiva

Há uma inquietude generalizada em todos os níveis, as pessoas se perguntam e comentam sobre os rumos atuais da política. Onde realmente chegaremos com essa onda de novos políticos que, buscam rumos diferentes ao sistema, mas a cada instante surgem controvérsias. A perplexidade que ecoa, desponta primeiramente, ao relembrarmos que tivemos um partido dominando o País por 16 anos, com uma ideologia totalmente populista, que acabou em mensalões, petrolões e “Lula está preso, babaca”!

De outro Norte, ocorreu a ascensão de um fenômeno, que muitos realmente o tem como um “mito”, mas que na realidade, o surgimento dessa pessoa pública, deu-se quando identificou e ocupou quase que isoladamente, uma cadeira vazia que existia no conservadorismo brasileiro, trabalhou sua imagem alinhando a parcela da população que buscava um verdadeiro representante da direita. A mídia foi a grande impulsionadora da campanha vitoriosa a longo de toda sua carreira.

No entanto, o governo populista não foi exitoso, e o governo midiático descamba para uma possível crise política, que pode atrapalhar a aprovação de seus projetos perante o Congresso, visto que, dois de seus Excelentíssimos Ministros foram exonerados em apenas 45 dias de mandato, o último, após demasiada exposição nas redes sociais.

Sem nos aprofundarmos se é certo ou não o uso exagerado das redes sociais na governança federal, onde as intrigas palacianas são expostas, causando a todo momento um desgaste incompreensível, que nem mesmo a oposição conseguiria gerar tamanho estrago, cabe ao Presidente estabelecer limites na influência de seus filhos e do grupo político, para que a governabilidade não seja comprometida.

Seguindo as palavras de nosso vice-presidente General Mourão, acreditamos que o Presidente Bolsonaro “vai dar uma ordem unida aí nessa rapaziada”, ou seja, chega de auto sabotagem ou de fogo amigo.

Nessa linha, permita-nos, sem promessas nem esperanças de milagres, a política no Brasil necessita de verdadeiras transformações, das quais, modestamente, aqui apresentamos algumas.

A conhecida democracia representativa é uma aberração, posto que nem estatisticamente, muito menos na prática ela ocorre. Nossos representantes nas casas legislativas (Vereadores e Deputados), se somarmos os votos a eles atribuídos, não correspondem a 30% dos eleitores. Assim representam pequenos grupos que os apoiaram na campanha e cobram para que seus interesses sejam atendidos.

Na média acreditamos que a partir das eleições de 2018, houve uma melhora, porém, a qualificação dos eleitos deve começar a ser um dos requisitos para pleitear um cargo público. Vejamos, para se ocupar qualquer cargo em empresas, escolas etc., exige-se a comprovação de habilidade e qualificação, aliado à experiência. Por outro lado, para ocupar um cargo político nada disso é exigido, basta o cidadão achar-se habilitado e qualificado que pode concorrer, usando dos meios que dispõe: dinheiro, influência, mentira, calúnia, sabotagem, boicote, pressão, infidelidade, promessas mirabolantes e enganos. Precisamos não apenas de votos conscientes, mas também de candidatos que se preparem para o cargo almejado.

Da mesma maneira, não apenas o candidato precisa estar preparado para assumir um mandato, o cidadão (eleitor) mais que nunca, necessita um mínimo de consciência e de conhecimento do que acontece na política. Precisamos acabar com a marca da alienação com relação à realidade política, à organização e funcionamento da sociedade. O não envolvimento do cidadão compromete nosso crescimento. Não falamos em participação pensando em aproveitar de alguma coisa para si, mas envolvimento visando melhorias coletivas.

Praticar o bem comum, sem apenas querer tirar proveito individual, deve ser a característica mais forte que o cidadão de bem deve exigir de seus representantes. Quando um político realiza uma obra que beneficia a população, quer fazer festa de inauguração, cortar a faixa que envolve a placa que o homenageia por aquela obra, para tanto, aquilo nada mais é que uma de suas atribuições, provocar a melhoria social.

Outro despautério, são as festas em comemoração de aniversário do Município, “um presente do poder Público à população”.  No fim, a população, isso, aquela mesma, que na segunda feira estará reclamando das filas nos hospitais, da lotação do ônibus, da insegurança pública, é que, sem saber, está pagando muito caro o show ou espetáculo de aniversário do Município.

Que tal os munícipes serem consultados previamente se eles estão de acordo que se faça esse tipo de comemoração?

Portanto, se alguém se pergunta: por que a situação política está tão caótica e desorientada, certamente não é culpa da população. Ela sabe quais são suas necessidades prementes e urgentes.

Infelizmente, diversamente das redes sociais palacianas que conseguem chegar a todos os rincões do Brasil, as necessidades da população não são escutadas. Conseguiram cortar a garganta da população!

Mas, aos poucos, a repulsa começa a tomar corpo novamente, e o sentimento de renovação contínuo aflorado na eleição pretérita que, combinado com o teor do projeto de reforma política pretende acabar com as reeleições perpetuação de poder, quem sabe, a população se mobilize para um governo do povo, com o povo para o povo. “Na atividade política, portanto, os homens navegam num mar sem limites e sem fim”. Michael Oakeshott (1901-1990).


Sérgio Augusto Costa da Silva – Delegado de Polícia, Bacharel em Direito e Teologia, pós-graduado em Direito Público, Penal e Processo Penal, MBA em Gestão Financeira e Contábil no Setor Público-UEA, Pós-graduando em Gestão de Tecnologia aplicada à Segurança de Dados-UEA e Mestrando em Segurança Pública- UEA.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos governo populista, Jair Bolsonaro
Cleber Oliveira 16 de fevereiro de 2019
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