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Saúde

Remédio de longa duração contra o HIV é comercializado no Brasil

27 de agosto de 2025 Saúde
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Em 2023, Manaus registrou 1.535 casos de HIV (Foto: Divulgação/Semsa)
Exame de sangue para diagnosticar o HIV: remédio de longa duração contra o vírus é vendido no Brasil (Foto: Divulgação/Semsa)
Por Gabriel Damasceno, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – O cabotegravir, medicamento injetável de longa duração contra o HIV, está a venda na rede privada de saúde do Brasil. Comercializado com o nome de Apretude, ele é administrado a cada dois meses e pode ser uma alternativa mais prática e com eficácia superior à profilaxia pré-exposição (PrEP) oral, que exige o uso diário de comprimidos.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de mil novos casos de HIV foram registrados em 2023 e, nos próximos dez anos, o Brasil pode registrar pelo menos 600 mil novos casos da infecção, mesmo com a disponibilidade da PrEP oral.

No entanto, um estudo publicado no periódico científico Value in Health, em dezembro de 2024, aponta que o novo fármaco poderia evitar cerca de 385 mil casos, o que geraria uma economia estimada em R$ 14 bilhões em custos de tratamento.

Indicações

O fármaco injetável é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que estejam em risco de contrair o HIV sexualmente e apresentem teste de HIV negativo antes do início do tratamento.

A medicação é administrada por um profissional de saúde por meio de uma injeção intramuscular única de 600 mg (3 mL) nas nádegas a cada dois meses, após duas injeções de iniciação administradas com intervalo de um mês.

O cabotegravir é um inibidor da integrase do HIV (INSTI). Medicamentos dessa classe bloqueiam a replicação do vírus ao impedir que o DNA viral se integre ao material genético das células imunológicas humanas. Essa etapa é crucial no ciclo de replicação do HIV e determina o estabelecimento de infecções crônicas.

Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), acredita que a chegada do medicamento significa uma revolução na prevenção do HIV.

Segundo ele, o fato de a aplicação ser a cada dois meses ajuda a aumentar a adesão à profilaxia. “Na África, por exemplo, muitas mulheres não conseguem fazer a PrEP oral porque os cônjuges têm preconceitos e jogam os medicamentos fora. Então, o uso de cabotegravir se traduz em maior efetividade, especialmente em populações com dificuldade em manter o uso contínuo da medicação oral”, destaca.

Ainda de acordo com ele, o fármaco injetável representa uma revolução estratégica na prevenção contra o HIV porque tem três predicados: é mais eficaz, mais cômodo e aumenta a cobertura de prevenção. “A PrEP oral é uma opção válida, mas o cabotegravir é mais uma alternativa”.

Um estudo realizado no Brasil com participantes entre 18 e 29 anos demonstrou alta eficácia e preferência pela PrEP injetável. Entre os participantes, 83% optaram por essa modalidade. Em outro estudo, com participantes de 15 a 19 anos, os principais motivos para escolher a PrEP injetável foram não precisar tomar comprimidos diariamente nem carregar medicamentos. Entre aqueles que inicialmente optaram pela PrEP oral, 14% migraram para a PrEP injetável.

Além dessas pesquisas, dois ensaios clínicos avaliaram a segurança e eficácia do cabotegravir de longa ação para PrEP em homens HIV-negativos que fazem sexo com homens, mulheres transgênero e mulheres cisgênero com maior risco de infecção pelo HIV sexual.

Com mais de 7.700 participantes de 13 países, ambos os estudos (duplo-cegos e randomizados) foram interrompidos precocemente por um Conselho Independente de Monitoramento de Dados e Segurança (DSMB) porque o cabotegravir de longa ação se mostrou superior aos comprimidos diários na prevenção da infecção pelo HIV.

Segundo o infectologista Rodrigo Zilli, diretor médico da GSK/ViiV Healthcare, que produz o medicamento, o cabotegravir é um marco pioneiro no Brasil. “Além do mercado privado, estamos focados em disponibilizar o medicamento no SUS, pois entendemos que essa inovação representa um avanço importante com potencial para ampliar o acesso às estratégias de prevenção ao HIV, as quais podem contribuir para a redução de casos e para a meta da UNAIDS de acabar com a epidemia de HIV/AIDS até 2030”, salienta, em comunicado à imprensa.

A dose do medicamento custa cerca de R$ 4 mil, mas o valor pode variar de acordo com o canal de compra, a região e os serviços de aplicação. O fármaco é distribuído pela Oncoprod e pode ser encontrado em clínicas e farmácias. Além disso, há a opção de entrega direta para pessoas físicas, permitindo que os usuários recebam o fármaco em casa.

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Assuntos cabotegravir, HIV, Medicamento
Cleber Oliveira 27 de agosto de 2025
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