
Por Guilherme Nery, do ATUAL
BRASÍLIA- O relatório final da CPMI dos Atos Golpistas do dia 8 de janeiro foi aprovado por 20 a favor, 11 contra e uma abstenção. O processo de votação começou na manhã desta quarta-feira (18) no Congresso Nacional e durou 7 horas. Antes da votação, parlamentares se dividiram sobre o documento de 1.300 páginas da relatora, senadora Eliziane Gama (PSD-MA).
Ela pede o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 60 pessoas, incluindo ministros do último governo federal e militares subordinados ao então presidente. Com a aprovação do relatório final, os pedidos feitos pela senadora serão enviados ao Ministério Público para analisar as denúncias.
Entre membros e não-membros da CPMI, 36 parlamentares se inscreveram para participar da discussão. Os integrantes da comissão eram apenas 32 parlamentares – 16 deputados federais e 16 senadores. A CPMI foi marcada por crítica da oposição sobre o relatório final.
Parlamentares de oposição criticaram Eliziane Gama por não ter pedido o indiciamento do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e do ex-ministro chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Gonçalves Dias.
G. Dias foi demitido do governo Lula após aparecer em vídeos em que oferece água aos invasores da sede dos três Poderes.
O deputado André Fernandes (PL-CE) foi um dos que criticou o relatório e classificou o documento de omisso em relação ao presidente Lula e ao ministro Flávio Dino. Segundo ele, ambos “tinham o dever de resguardar os prédios públicos”.
A relatora teve o apoio da base governista. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defendeu o relatório e rebateu os parlamentares de oposição. “Com este relatório, a democracia vence, sem dar anistia aos golpistas”, disse Jandira.
“Não vou ceder a essa estratégia sórdida, covarde! Não vou ceder. Claramente tentam tumultuar para esse relatório não ser aprovado. A tentativa de me intimidar é inócua. Vocês não conseguirão. Eu tenho 16 anos de vida pública, e nunca fui tão agredida e insultada como nas últimas 24 horas”, contra-atacou Eliziane Gama.

