
Por Beatriz Rocha, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – Sem sinalizações claras sobre os próximos passos, o mercado passou a tentar decifrar o comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária) após o corte de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, para 14% ao ano, decidido nesta quarta-feira (5). O Banco Central anunciou hoje a quarta redução seguida da taxa de juros.
No comunicado, o Copom afirmou que o ambiente externo permanece incerto com a indefinição dos conflitos no Oriente Médio e com as dúvidas sobre a política monetária em economias avançadas.
Em relação ao cenário doméstico, citou uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, e um mercado de trabalho aquecido. O Copom acrescentou que, nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para um patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta.
O comitê estabeleceu uma projeção de inflação de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária. Na reunião de junho, a estimativa estava em 3,7% para o quarto trimestre de 2027, até então o período de referência.
O Copom afirmou que a magnitude total do ciclo de calibração dos juros será estabelecida à luz de novas informações. Também destacou que o cenário atual demanda “serenidade” e “cautela” na condução da política monetária, termos já mencionados em comunicados anteriores.
“O comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, acrescentou o texto.
Para o mercado, o comunicado veio sem surpresas e não forneceu projeções explícitas em relação aos próximos passos da política monetária. O entendimento geral foi de que o texto veio mais curto e objetivo do que o de junho.
