
Por Sofia Aguiar e Mateus Cerqueira, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que quem governa “não pode ficar em depressão” quando pesquisas de popularidade não são boas para a gestão. De acordo com ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado em melhorar a performance e comunicação do governo, mas descartou a intenção de ampliar o número de ministérios para acomodar partidos na Esplanada.
“Quem governa, nem pode ficar eufórico quando as pesquisas vêm boas, nem pode ficar em depressão quando as pesquisas não vêm boas. Quem governa tem que ter serenidade em identificar tanto no momento que está bom, o que está lhe fazendo ter avaliação positiva, e buscar com precisão nos momentos que as pesquisas não vêm boas, o que está levando a isso”, afirmou o ministro em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (26).
Rui Costa admitiu que o governo não “comunicou bem” nos dois anos de gestão. “É isso que estamos num esforço gigantesco”, disse.
A desaprovação do governo cresceu acima dos dois dígitos desde dezembro em Pernambuco e Bahia, Estados que historicamente são base eleitoral do petista. Segundo pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, a taxa de reprovação do presidente ultrapassa 60% nos outros seis Estados onde foram realizadas entrevistas: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás.
De olho nas reacomodações que o governo pretende fazer na Esplanada, Rui Costa avaliou como “natural” que partidos queiram um espaço maior no governo.
Porém, disse que “não há nenhuma intenção de ampliar número de espaços para fazer acomodação política”. O ministro comentou que Lula deve chamar líderes partidários para tratar sobre o assunto.
Mesmo sob expectativas de uma reforma ministerial envolvendo o espaço das legendas, o ministro afirmou que a gestão federal não deve ter dificuldade de aprovar os principais projetos do governo na Câmara e Senado.
Troca de ministros
Sobre a reorganização ministerial, Rui Costa justificou as mudanças como uma estratégia para fortalecer a comunicação e a articulação política. “Time, uma equipe, você tem aqueles que entram em campo num primeiro momento. Se a gente fosse comparar com um jogo de futebol, tem jogadores que têm um perfil pra jogar mais num primeiro tempo e tem jogadores com perfil de entrar num segundo tempo”, disse.
O ministro reforçou que Lula está refletindo sobre o perfil adequado para a nova nomeação na articulação política. “É preciso um nome que tenha vontade de dialogar com o Congresso, dialogar com prefeitos e governadores, porque temos dois anos de uma nova etapa”, avaliou.
Ele também elogiou a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade e negou que sua saída tenha sido motivada por questões de desempenho. “Ela é uma pessoa extraordinária, uma pessoa séria, serena, capaz, que buscou com muito diálogo repactuar o SUS”, declarou, sugerindo que Trindade poderá assumir novas funções no governo ou em organizações internacionais. “Com certeza outras missões se colocarão para ela”, acrescentou.
