
MANAUS – O caso do idoso morto, que foi usado para tentativa de fazer um empréstimo em banco, traz para o debate a situação das pessoas idosas no país e como são tratados. Quem cuida dos idosos?
Os dados do Censo do IBGE de 2022 mostram que pessoas com idade de 65 anos ou mais representam 22 milhões da população. Teve um crescimento de 57,4% em relação ao último censo, que foi em 2010.
Em 1980, as pessoas idosas representavam 4% da população total do país. Em 2010 era de 7,4% (14 milhões de pessoas) e, agora em 2022, chega a 10,9%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a população idosa no Brasil chegue a 90 milhões de pessoas, em 2050.
Há um aumento da longevidade no Brasil. Diminuiu a taxa de fecundidade, as pessoas tem menos filhos e ao mesmo tempo as pessoas vivem por muito mais tempo. A idade mediana da população aumentou 6 anos, de 28 para 35 anos. Enquanto a população das pessoas idosas aumenta, o total de crianças com idade até 14 anos recuou de 24,1% da população em 2010, para 19,8% em 2022.
Por isso, em termos de economia, fala-se na Economia Prateada, que é voltada às necessidades da população idosa. Serviços de cuidados especiais. Quem vai cuidar dos idosos? Deve aumentar os serviços prestados de cuidadores de idosos, os serviços médicos nas residências das pessoas idosas (Home Care).
Neste sentido, há um mercado de trabalho de grandes possibilidades para quem se especializar no atendimento de pessoas idosas, nos cuidados, nas ações diversas da vida das pessoas idosas.
O Estatuto da Pessoa Idosa, a Lei 10.741/2003, garante às pessoas idosas o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, á dignidade, à convivência familiar e comunitária. E tudo isso com absoluta prioridade. Mas isso é feito?
Quantas pessoas idosas ficam abandonadas em casa, não podem sair, não há acessibilidade. Nos casos de deficiência e limitações físicas, como são tratadas? E nos casos de doenças, como ocorre a convivência familiar?
Quantos idosos são explorados na sua condição de aposentados, com benefícios que recebem ou com empréstimos consignados, onde o dinheiro nem sempre é usado para os cuidados e necessidades das pessoas idosas, como é o caso de despesas com saúde e medicamentos.
Os empréstimos consignados, que ocorrem muito com aposentados, pensionistas e pessoas idosas que recebem o (BPC) Benefício de Prestação Continuada, em muitos casos comprometem boa parte da renda e deixam dívidas enormes que prejudicam as pessoas idosas.
As pessoas idosas merecem respeito. E tem direitos. As diversas necessidades de cuidados também geram oportunidades de trabalho para quem se especializar na área.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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