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Economia

Quebra de fornecedora argentina no Brasil ameaça projetos da Eletrobras

4 de maio de 2015 Economia
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Impsa

BRASÍLIA – A quebra da fabricante argentina Impsa no Brasil, empresa especializada na fabricação de turbinas hidrelétricas e eólicas, poderá comprometer o andamento de uma série de empreendimentos do setor elétrico no País, boa parte deles tocados por empresas ligadas ao Grupo Eletrobras.

Dona da Wind Power Energia (WPE), uma fábrica de equipamentos instalada em Suape, em Pernambuco, a Impsa possui hoje R$ 568 milhões em dívidas com grandes compradores de seus equipamentos. Para a Chesf, do Grupo Eletrobras, a empresa deve R$ 165 milhões. Outras duas estatais do grupo, Eletrosul e Furnas, têm mais R$ 390 milhões comprometidos com os argentinos, por meio de projetos que as essas estatais realizam em sociedade com empresas privadas, para erguer usinas eólicas no Nordeste e Sul.

O tamanho dessas dívidas, na realidade, pode ser ainda maior, já que se trata de valores que a própria WPE informa como devidos em seu plano de recuperação judicial, mas que não necessariamente correspondem àquilo que os credores entendem como o devido acerto de contas.

Segundo uma fonte ligada à diretoria do grupo Eletrobras, medidas judiciais e multas contra a WPE já estão em andamento para tentar afastar o calote. Paralelamente, as sociedades nas quais participam já comunicaram suas seguradoras sobre a expectativa de sinistro. A informação foi confirmada por Furnas.

Essa fonte também confirmou que a estatal já contabiliza o risco de ter projetos atrasados em pelo menos seis meses, por causa da demora na entrega de equipamentos pela fornecedora. Os atrasos em vários projetos que envolvem a WPE já são realidade. Vários parques eólicos onde Furnas e Eletrosul têm sociedade com empresas privadas já contabilizam atrasos entre seis e oito meses nas fiscalizações realizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Internamente, a Eletrobras já se prepara para pedir que uma parte desses atrasos seja perdoada, devido aos problemas que as obras tiveram para receber equipamentos. Esse tipo de pedido, no entanto, tem sido rejeitado pela agência, por entender que a contratação de fornecedores é um risco que deve ser alocado ao empreendedor.

Na hidrelétrica de Belo Monte, onde a Eletrobras, Chesf e Eletronorte são donas de 49,98% do empreendimento, o contrato assinado com a WPE para compra de quatro turbinas foi cancelado. O consórcio Norte Energia fechou acordo com outro fornecedor e já tratou de provisionar R$ 255,841 milhões em seu balanço, por causa da incerteza de recuperar esse dinheiro. No Mato Grosso, onde é construída a hidrelétrica de Colíder, a Copel viu riscos de a WPE não honrar compromissos de seu contrato de R$ 160 milhões e passou a procurar diretamente os fornecedores da empresa argentina, para negociar com essas companhias, inclusive fora do Brasil.

Ao todo, o rombo financeiro reconhecido pela WPE em seu plano de recuperação é de R$ 3,2 bilhões. Montada em 2006 em Suape, em Pernambuco, a fabricante cresceu rápido ao vencer licitações país afora. Era a aposta maior do grupo argentino Indústrias Metalúrgicas Pescarmona SA (Impsa), empresa centenária que pretendia transformar o Brasil na maior fábrica de geradores para usinas hidrelétricas e eólicas da América Latina.

No auge de suas atividades, em 2012, chegou a ter 1.100 empregos diretos em sua fábrica, gerenciando uma carteira de pedidos superior a R$ 5 bilhões. Além de ganhar com a venda de equipamentos, os argentinos contavam ainda com receitas da empresa Energimp, empresa de geração dona de 800 megawatts de potência e na qual possuem sociedade com o Fundo de Investimento do FGTS, o FI FGTS.

Apesar do futuro promissor, a WPE chegou ao fim do ano passado afundada em dívidas e processos. Foi quando pediu recuperação judicial para evitar a falência, estancar processos judiciais e achar uma solução. A principal causa da quebra foram desavenças com sua principal cliente, a Eletrobras, devido a desentendimentos envolvendo os preços da energia que a estatal deveria comprar de um parque eólico da Energimp. “Foram 30 meses gerando energia, sem receber por isso”, disse Graciema Bertoletti, sócia da G5 Evercore, consultoria contratada pela WPE para fazer o plano de reestruturação.

A empresa espera agora a aprovação de seu plano, o que inclui a possibilidade de venda de ativos, o encerramento amigável de parte dos contratos e a continuação de outros, além de a procura de sócio comprador da empresa.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

 

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Assuntos eletrobras, energia elétrica, Falência
Valmir Lima 4 de maio de 2015
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