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Política

PT busca líder de Bolsonaro no Senado por apoio à PEC da Transição

17 de novembro de 2022 Política
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Plenário do Senado: mulheres são minoria (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Plenário do Senado: PT busca apoio para aprovar PEC da Transição (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Por Thaísa Oliveira e Matheus Teixeira, da Folhapress

BRASÍLIA – O PT traçou um plano nesta quinta-feira (17) para falar com todos os senadores da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) sobre a PEC da Transição, principal aposta do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para o pagamento do Bolsa Família.

A tarefa foi dividida entre o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PT-PA), o senador eleito Wellington Dias (PT-PI) – escalado por Lula para negociar o orçamento de 2023 – e o senador Jaques Wagner (PT-BA).

Rocha, por exemplo, ficou com a missão de falar com o líder do governo de Jair Bolsonaro (PL), Carlos Portinho (PL-RJ). Em entrevista à Folha de S.Paulo, Portinho disse que o texto estava sendo discutido em uma “confraria do PT”, sem diálogo. Depois das críticas, os dois conversaram por telefone nessa quarta (16).

Outros líderes fizeram reclamações semelhantes ao presidente da CCJ, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O senador relatou a interlocutores de Lula que muitos senadores criticaram a condução da articulação política, e estão se sentindo excluídos por não terem sido procurados.

O plano do PT é falar individualmente com todos os membros da CCJ e aproveitar o esforço concentrado do Senado, na semana que vem, para buscar os demais senadores, incluindo o filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A ideia é deixar claro que o debate, a partir de agora, não estará restrito ao PT, e que o texto apresentado nessa quarta é apenas um esboço. Cada senador, segundo um dos interlocutores de Lula no Congresso, será tratado como uma “instituição”.

Após a entrega da minuta ao relator-geral do orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI), o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nessa quarta que não havia nenhuma PEC, mas sim “uma proposta, um anteprojeto”.

Embora outros senadores estejam ajudando na articulação, como Alexandre Silveira (PSD-MG), Carlos Fávaro (PSD-MT) e o próprio presidente da CCJ, petistas avaliam que os parlamentares também fazem questão de conversar com o grupo que está no entorno de Lula.

O PT conta ainda com o apoio da senadora Simone Tebet (MDB-MS) para a articulação no Senado. Tebet – que apoiou Lula no segundo turno e hoje integra a equipe de transição na área de desenvolvimento social – foi presidente da CCJ antes de Alcolumbre e hoje é membro titular da comissão.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou na terça-feira (15) que seria possível votar a PEC na última semana de novembro. A intenção é aprovar o texto na CCJ e no plenário do Senado no mesmo dia.

Em outra frente de articulação, a equipe de transição também decidiu criar um grupo com líderes da Câmara e do Senado de partidos aliados para discutir a aprovação da PEC. O grupo deve se reunir na próxima quarta-feira (23).

A medida foi anunciada durante a reunião do conselho político desta quinta, que contou com a presença de Alckmin. Parlamentares afirmam que a intenção é montar uma espécie de “comissão mista” para negociar o texto com deputados e senadores.

O anteprojeto apresentado nessa quarta retira o Auxílio Brasil – que voltará a se chamar Bolsa Família – do teto de gastos, regra fiscal que limita o crescimento das despesas. O texto não estipula prazo de validade para a medida, o que deixa a porta aberta para que ela seja permanente.

Integrantes do PT sabem que uma ala importante do Congresso defende restringir a validade da exceção a 2023, primeiro ano do governo Lula. Por isso, aliados do petista admitem negociar um prazo de quatro anos, o que é visto como um meio-termo para acenar a setores que temem um “cheque em branco”.

Na terça, a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, mostrou que Lula defendeu o prazo de quatro anos ao presidente do Senado em conversa reservada no Egito durante a COP27, a conferência do clima das Nações Unidas.

Pacheco teria reforçado ao presidente eleito que o teto é uma “conquista” do país e que o Congresso é favorável à manutenção da regra fiscal. No entanto, conforme ressaltou o senador mineiro, os parlamentares aprovariam a retirada do valor do Bolsa Família do teto por quatro anos.

A primeira assinatura no texto da PEC será do relator-geral do Orçamento, Marcelo Castro, que tem trabalhado para a aprovação do texto e defendido que o montante de R$ 175 bilhões fique de fora do teto de gastos.

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Assuntos Auxílio Brasil, Bolsa Família, PEC da transição, Senado
Cleber Oliveira 17 de novembro de 2022
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