
Do ATUAL
MANAUS — Terminou na delegacia o protesto dos professores da rede pública de Manaus no Complexo Turístico da Ponta Negra na noite de quinta-feira (20) contra a reforma da previdência. Após ser autuado pelo IMMU (Instituto Municipal de Mobilidade Urbana) por estacionamento irregular, o carro de som usado do ato foi levado para o 19° DIP (Distrito Integrado de Polícia), no próprio bairro. Na porta da delegacia, os professores contestaram a ação da polícia.
O protesto ocorreu nas proximidades de uma roda-gigante instalada por uma empresa privada, empreendimento anunciado pelo prefeito David Almeida como nova atração turística da capital. O prefeito afirmou que a roda-gigante começaria a funcionar na quinta-feira, junto com o espetáculo “Um Sonho de Natal”.
Os trabalhadores da educação chegaram ao local por volta das 17h para realizar o ato. A intenção era aproveitar a possível presença do prefeito para pressioná-lo.
A manifestação foi direcionada a David, que sancionou na quarta-feira (19) a Lei Complementar nº 27, de 19 de novembro de 2025. A norma altera a idade mínima e o tempo de serviço para a aposentadoria para quem ingressou no serviço público após 31 de dezembro de 2003.
O prefeito alega que a mudança é necessária para garantir o pagamento de segurados nos próximos anos. Os trabalhadores, entretanto, alegam que a alteração traz prejuízos aos servidores, principalmente àqueles que já estavam prestes a se aposentar.
No protesto, que começou no calçadão e depois acabou interditando a alça de retorno da Avenida Coronel Teixeira, próxima à Casa de Praia Zezinho Corrêa, os professores gritavam frases de ordem como: “Fora David” e “David, seu opressor, tu não vai ser governador”.
Agentes da Guarda Municipal e do IMMU acompanharam a ação dos professores. Em determinado momento, houve tumulto, com empurra-empurra entre um homem e os manifestantes.
Os servidores afirmam que o IMMU ameaçou apreender o veículo por estar estacionado em área irregular. Por essa razão o grupo permaneceu ao redor do veículo para que ele não fosse levado. Um caminhão guincho e diversas viaturas do instituto estavam no local.
O motorista foi autuado pela Polícia Civil do Amazonas pelo crime de desobediência. Ele também recebeu três autuações administrativas do IMMU: estacionar em rotatória, impedir deliberadamente o fluxo de trânsito em via pública e descumprir ordem de autoridade de trânsito.
O carro de som foi levado ao 19º DIP por agentes da Semseg (Secretaria Municipal de Segurança Pública) e do IMMU.
Segundo o professor Lambert Melo, que integra a diretoria do Asprom Sindical, o veículo não foi apreendido por pressão dos trabalhadores. “O carro não foi apreendido porque a categoria dos professores impediu que isso acontecesse. Mas eles queriam fazer usando as mais audaciosas artimanhas”, disse Lambert Melo.
Na manhã desta sexta-feira (21), a categoria se reúne em assembleia geral para definir os rumos da greve deflagrada em protesto à reforma.
A reportagem questionou o IMMU e a Prefeitura de Manaus sobre medidas adotadas neste caso, mas até a publicação desta matéria nenhuma nota foi enviada.
