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Negócios

Proliferação de serviços digitais e neobanks trará mais concorrência ao sistema financeiro, diz setor

22 de junho de 2021 Negócios
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O debate sobre como a regulamentação do setor deve evoluir já é um tema que está na mesa dos executivos do setor bancário há alguns meses (Foto: Divulgação)
Isabela Bolzani, da Folhapress

SÃO PAULO, SP  – A proliferação dos serviços digitais e dos chamado neobanks (bancos digitais) deve trazer uma maior concorrência para o sistema financeiro e mais opções para o consumidor, afirmaram executivos do setor financeiro em painel no congresso de tecnologia bancária CIAB, promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) nesta terça-feira (22).

“O tema do digital tem acelerado e permitido alguns fenômenos que antes eram muito difíceis. O que era serviço financeiro estava muito ligado especificamente às instituições do setor e, agora, essas barreiras não existem mais”, afirmou Rodrigo Cury, chefe do BTG+ e sócio do banco.

No painel os executivos também comentaram sobre a expansão do uso das plataformas digitais para públicos de diferentes idades e não apenas para o nicho específico de millenials e geração Z -que costumam adotar esse tipo de serviço de maneira mais rápida e fácil.

“Existe uma série de aspectos que atraem grupos muito mais amplos do que apenas aqueles jovens. O público de mais de 40 ou 50 anos também busca experiências digitais e maior conveniência financeira”, disse o presidente do Next, Renato Ejnisman.

Para Raul Moreira, membro do conselho de administração do Banco Original e do PicPay, existem, no momento, três fatores que têm favorecido o surgimento de plataformas financeiras digitais no Brasil.

“O primeiro é a evolução da própria tecnologia, que tem trazido muitas novidades. O segundo é que há um novo tipo de consumidor, cada vez mais aberto a novas experiências digitais. E o terceiro é uma nova estrutura regulatória, que tem flexibilizado a entrada de novas plataformas”, afirmou o executivo.

Moreira disse, ainda, que a evolução dessas iniciativas tem sido para se tornarem plataformas completas. “Em termos de evolução, é natural que elas comecem a ampliar um pouco mais a oferta [de produtos e serviços], inclusive saindo do núcleo principal de produtos financeiros para tentar complementar a experiência junto aos consumidores”, afirmou.

“Veremos muita coisa acontecendo, novas plataformas surgindo com novas experiências e uma dinâmica competitiva bastante produtiva”, completou Moreira.

O debate sobre como a regulamentação do setor deve evoluir já é um tema que está na mesa dos executivos do setor bancário há alguns meses.

De um lado, as fintechs e bancos digitais defendem um posicionamento mais flexível do Banco Central, de maneira a permitir que essas iniciativas consigam entrar e evoluir no sistema financeiro.

De outro, os grandes bancos acreditam ser necessária uma maior simetria regulatória entre os participantes do mercado. Mais cedo nesta terça-feira (22), em painel liderado pelos presidentes dos seis maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Santander), o tema voltou a ser discutido.

Eles defenderam a criação de uma regulamentação mais ajustada ao setor de maneira a criar uma maior igualdade de condições entre as instituições financeiras.

“Muito tem se falado sobre as assimetrias regulatórias [do setor]. Nós somos a favor da competição, mas também da isonomia”, afirmou o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, em painel do CIAB na manhã desta terça.

“A arena competitiva já mudou drasticamente, basta olhar o market share [participação] de cada um dos bancos. Houve um aumento no valor de mercado de duas companhias, considerando as fintechs, e naturalmente essa divisão mudou. Por isso, a questão da isonomia é um ponto central e tem muito espaço para evoluir”, completou Maluhy.

O executivo se refere ao crescimento de valor de mercado do Nubank e da XP Investimentos -que chegaram a ultrapassar o valor de mercado do Banco do Brasil e se aproximam do BTG Pactual.

“A competição é muito saudável para todos nós, mas a discussão sobre o open finance não pode ter assimetrias regulatórias”, disse o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari.

Em setembro do ano passado, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que mudaria o nome do projeto de open banking para open finance, uma vez que o sistema vai abarcar todos os produtos financeiros.

O open banking, ou sistema financeiro aberto, é o processo de compartilhamento dos dados entre instituições autorizadas pelo Banco Central para que o consumidor tenha mais liberdade de escolher serviços e produtos por meio de sua autorização expressa.

A primeira fase do open banking começou em fevereiro deste ano. A segunda fase do projeto está estimada para 15 de julho.

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Assuntos neobanks, serviços digitais, sistema financeiro
Redação 22 de junho de 2021
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