
Do ATUAL
MANAUS — As projeções de população no Brasil para as próximas décadas são um alerta para quem almeja uma “aposentadoria saudável”, segundo afirmou o professor universitário Elias Cruz em entrevista ao ATUAL nesta sexta-feira (16). Cruz falou sobre a necessidade da educação financeira e do planejamento.
“A gente tem que fazer planejamento a longo prazo para que a gente possa ter uma aposentadoria saudável”, afirmou Cruz, que também é auditor técnico de Controle Externo do TCE-AM (Tribunal de Contas do Amazonas).
Na década de 1950, no Brasil, a taxa de fecundidade era alta, e as crianças e os adolescentes representavam a maioria da população brasileira. Naquele tempo, as pessoas ativas formavam o segundo maior grupo, enquanto os idosos representavam a minoria.
A fecundidade decaiu drasticamente a partir da década de 1960, até distorcer a “pirâmide”. Atualmente, as pessoas em atividade formam a maioria, e as crianças e adolescentes, o segundo maior grupo. Em algumas décadas, essas pessoas ativas envelhecerão, e os futuros idosos serão maioria.

“É muito importante a gente entender que, no transcorrer dos anos, as coisas mudaram. Muitos não perceberam”, afirmou Elias Cruz. “Naquela época, existia uma pirâmide. A gente tinha muito mais gente contribuindo para pagar aqueles aposentados. Mas, com o aumento da expectativa de vida, as pessoas passaram a viver mais e tudo. Então, começou a haver a necessidade dessa alteração”, completou o professor.
“Em 2020, foi feito o primeiro levantamento. E aquela pirâmide estava começando a mudar a sua formatação. Ele já traz um padrão para 2025. Hoje, está no formato parecido com aquelas garrafas de vinho de cinco litros. Embaixo, ela é menor, aumenta um pouquinho no meio e, lá em cima, está o pessoal aposentado”, disse Cruz.
“E a previsão para 2050 é que a gente tenha praticamente uma garrafa de vinho — ou seja, que você terá praticamente a mesma quantidade de pessoas trabalhando e se aposentando”, completou o professor.
Elias afirma que essas projeções reforçam a necessidade de se planejar. “É importante que a gente eduque os nossos filhos para isso, para se prepararem para o futuro. Eu falo isso não como professor, mas como pai de um jovem de 16 anos”, afirmou.
O professor relatou que, em viagem aos Estados Unidos da América, testemunhou idosos trabalhando. “Vi lá, realmente, os senhores catando aquelas folhinhas, eles bem velhinhos trabalhando. Esse é um padrão que já acontece lá”, afirmou.
“Então, se a gente não se preparar… E aí vem a educação financeira. A gente tem que fazer planejamento a longo prazo para que a gente possa ter uma aposentadoria saudável, uma aposentadoria feliz lá no final. Até porque vamos trabalhar a vida toda, 35 anos — alguns vão trabalhar 45 anos ou até mais — para ter uma aposentadoria decente e digna, que o cidadão merece”, completou.
A adesão ao trabalho informal é outro fator que preocupa. Esses trabalhadores não contribuem diretamente com a previdência, mas acabam recebendo benefício especial.
“A gente vê muitas pessoas optando pela informalidade. Passam a vida toda na informalidade, não contribuindo, aí chegam ao final da vida e entram com a solicitação daquele benefício especial para ganhar um salário mínimo, enquanto aquele pai de família, que saiu todos os dias cedo para trabalhar, contribuía, levava a marmita dele para o trabalho, no final da vida vai ser aposentado com o mesmo salário mínimo”, afirmou.
“Às vezes, a gente precisa também analisar esses pontos. Não podemos generalizar, existem realmente…”
Elias também alertou sobre as novas regras que fixam o teto do INSS. Elas foram instituídas pela Emenda Constitucional 103/2019, que define o valor máximo que um benefício de aposentadoria ou pensão pode alcançar. Em 2025, esse valor é de R$ 8.157,41.
“O Estado do Amazonas e até o município de Manaus se adequaram às novas regras de previdência, até porque essa Emenda 103 trazia essa obrigatoriedade: que, em dois anos, todos os órgãos deveriam ter implantado o regime de previdência complementar”, afirmou Cruz.
“Hoje, todos os servidores que ingressaram e vão ingressar, tanto no Estado quanto no município, vão contribuir com o teto. A previdência para esses novos servidores já está utilizando o mesmo teto do INSS, por força da emenda constitucional”, completou.
