
MANAUS – A Prefeitura de Manaus encomendou um estudo topográfico de um trecho da Avenida André Araújo, na zona centro-sul da cidade, próximo à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) com o objetivo de identificar um problema bem conhecido dos motoristas de Manaus em dias de chuva: o alagamento de ruas.
O documento, ainda, não tem data para ser concluído, mas está sendo encarado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura como o pontapé inicial para solucionar o problema de retenção de água da chuva, o que aumenta os riscos de acidentes de carros e gera “dor de cabeça” para os pedestres.
Os “alagamentos” não são exclusivos da Avenida André Araújo. Na Avenida Boulevard Álvaro Maia, na área central de Manaus, o trecho próximo à Avenida Mário Ipiranga Monteiro, fica quase intransitável quando a chuva é mais intensa.
Mesmo em vias recém recuperadas, o problema é recorrente, como no trecho da Avenida General Rodrigo Otávio, bem embaixo do novo complexo viário do Quarenta, na zona sul. Ali, os carros pequenos passam com a metade das rodas submersas.
Na semana passada, um leitor do AMAZONAS ATUAL encaminhou um vídeo em que foi registrado o alagamento de parte da Avenida Getúlio Vargas, no Centro Histórico de Manaus, um dos principais corredores de ônibus da cidade.
Drenagem profunda
O secretário Seminf, Alexandre Morais, afirma que um dos problemas é a falta de drenagem nas ruas mais antigas de Manaus. Segundo ele, atualmente é proibido executar qualquer uma obra de infraestrutura sem o trabalho anterior de uma drenagem profunda. “Na André Araújo, assim que o estudo ficar pronto, estudaremos as obras que deverão ser realizadas e como serão, por se tratar de uma avenida importante e com alto fluxo de veículos”, disse.
Outro problema apontado pelo secretário é que em alguns igarapés, no período de cheia, as águas sobem ao nível das vias, como na Bacia do Quarenta e na Bacia do São Raimundo. “Isso acontece, também, no Centro de Manaus. Teríamos que elevar o nível das ruas. Mas seria uma obra grandiosa e trabalhosa. Mas depois deste período (de chuvas), tudo volta ao normal”, afirmou.
Cidade não planejada
A cidade de Manaus, como todas as cidades da Amazônia, tem um longo período de chuvas, que se estende de novembro até maio. Durante esses seis meses, os pontos de alagações, se transformam em um transtorno para a população. Para o urbanista e professor universitário Jaime Kuck, a retenção de água impacta na durabilidade da pavimentação das vias.
“Nossa sorte é que ainda há igarapés desobstruídos, por onde o volume de água pode escoar. Senão, teríamos problemas de alagamento como há em São Paulo”, explicou o superintendente do CPRM, Marco Antônio de Oliveira.
“A verdade é que este problema é um risco para a cidade. Se em dias em que não há chuvas há tantos acidentes, imagina o perigo de andar nestas vias em dias de chuva. Para um carro ter aquaplanagem, o cenário é ideal. A Prefeitura já devia ter feito algo neste sentido”, disse o técnico químico, Luciano Dias.
