
Por Milton Almeida, do ATUAL
MANAUS – O “x-caboquinho”, o mais famoso sanduíche regional do Amazonas, servido em lanches, bancas de café regionais e cafeterias foi retirado dos cardápios de muitos estabelecimentos de Manaus. As causas não estão bem claras, mas alguns donos de cafés, na Feira da Manaus Moderna alegam que o preço do tucumã, um dos ingredientes do “x-caboquinho”, está pelas alturas.
As tapiocas com tucumã e as pizzas com o mesmo sabor também sumiram dos cafés e pizzarias de Manaus devido à escassez do produto e o alto preço.
No corredor do lanche, local que concentra estabelecimentos de vendas de café dentro da Feira da Manaus Moderna, o “x-caboquinho” foi substituído por outros produtos regionais, como bolos de macaxeira, queijo coalho, farofa de jabá e mistos. “Eu tive que explicar para os meus clientes que o tucumã ficou muito caro e não tenho condições de adquirir esse produto”, diz Raimunda Silva, que é proprietária de um café, que ocupa os boxes 2 e 3 na feira.
Outros donos de café daquela área dizem que o preço do tucumã encareceu o “x-caboquinho”, que chegou a ser vendido a R$ 35 a unidade. “O preço normal era R$ 15 ou R$ 18, mas o preço da saca do tucumã subiu para R$ 800. Antes você comprava a saca por R$ 200. E o ‘x-caboquinho’ não é somente o tucumã, eu gasto dinheiro com o pão, com o queijo coalho e a banana frita. Então ficou difícil servir esse produto no meu lanche”, conta Edson Aparecido, proprietário do Lanche Maria Alice, nos boxes 4 e 5 da Manaus Moderna.
Os vendedores de tucumã se defendem e dizem que a culpa do alto preço do tucumã é a estiagem do ano passado. “Com a seca, muitos tucumãs não cresceram. E como tem pouco tucumã no comércio, o preço da saca ficou caro. Eu compro caro e tenho que revender caro para ganhar algum lucro”, diz Michel Cedeno, gerente de um box de revenda de tucumãs em Manaus. Ele afirma que tem que pagar o salário de três funcionários que descascam e tiram a polpa da fruta.
O quilo da polpa do tucumã está sendo vendido em Manaus a preços que variam de R$ 150 e R$ 180. Na Feira da Manaus Moderna, uma sacolinha com 12 unidades de tucumãs com caroço custa R$ 30.

Segundo os feirantes, o peso da saca do tucumã varia entre seis e 11 quilos, e que o produto vendido na feira vem de diversos municípios do Amazonas, de Porto Velho e do Pará.
“Nós temos que explicar aos clientes que a culpa não é nossa. O tucumã chega verde, travoso e você tem que esperar que ele amadureça e muitos se estragam”, conta Michel Cedeno, reclamando que as vendas caíram muito. “Antes vendíamos mais de duas sacas de 10 quilos por dia, hoje vendemos uma saca por dia”, diz.
Segundo o presidente da FAEA (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, o período de final de safra do tucumã, que acontece no mês de maio, provocou a falta do produto no mercado local.
“A estiagem que sofremos o ano passado comprometeu a produção de tucumã no Estado. Também é importante destacar, que o processo do tucumã ainda é um processo de forma extrativa, ainda não temos uma tecnologia definida”, afirma.

Parabéns por abordar assuntos de interesse do dia a dia dos amazonenses.
Parabéns, por divulgar matérias de interesse dos amazonenses. O tucumã é uma fruta que precisa ser cultivada para ser ofertada o ano todo para os apreciadores dessa iguaria deliciosa: o x-caboquinho.