
Da Redação
MANAUS – Especialista em marketing político, Rodrigo Gadelha diz que o posicionamento é o que faz qualquer candidato ganhar uma eleição no Brasil. “A maioria dos candidatos no Brasil que ganhou em 2018 falou totalmente só de valores e não de propostas”, afirma Gadelha, eleito profissional de social media do ano de 2018.
De acordo com o especialista, o foco das campanhas atuais são os valores defendidos por cada candidato. “Se você for ver, qual foi a grande proposta que o Bolsonaro deu? Pouca gente lembra. Qual foi a proposta que o Witzel, do Rio de Janeiro deu, que o Zema (governador de Minas Gerais) deu? Quem é da nova política trabalhou mais uma política de novos valores que de novas propostas”, diz.
Segundo Gadelha, a estratégia de usar valores cria um sentimento de identificação com o eleitor através dos meios digitais. “O meio digital está lá, mas se você não fala uma verdade que mexe com a pessoa você não vai conquistar ela. O meio é o que faz você chegar até às pessoas, mas você tem que falar algo que crie alguma identificação. Eu falo bastante na hora de planejar: tem que buscar uma memória afetiva”, afirma.
Para isso, Rodrigo Gadelha diz que é necessário acompanhar aquilo que é priorizado pela sociedade no momento. O social media cita como exemplos as últimas campanhas. “Por exemplo, a campanha do Collor. Ele era o que? Caçador de marajás. Contra o que? Contra a corrupção. O Lula era ‘quero um Brasil decente’, contra o que? Contra a corrupção. Nós tivemos em 2016 o trabalhador usado pelo João Dória, contra o que? A corrupção. Nós tivemos no ano passado o ‘Brasil acima de tudo, Deus acima de todos’. Contra o que? Contra a corrupção. O que mudou foi que eles souberam ver qual era o assunto que as pessoas queriam falar e se posicionaram em cima disso”, explica.
De acordo com Gadelha, esse foi um ponto que contribuiu para a campanha de Bolsonaro. “Quando entramos em uma política de valores, quais são os valores que estão no momento na sociedade mais gritantes? Isso sim o Bolsonaro soube pegar. Ele vem defendendo um tipo de valores que as pessoas vinham caladas sofrendo, que ele acabou representando o cara que tem coragem de falar o que muita gente não tem coragem de falar”, afirma.
Política de Torcida
Rodrigo Gadelha fala ainda sobre o cenário de embates entre opiniões distintas que se intensificaram com as últimas eleições. “O Brasil virou uma política de torcida, não é uma política de discussão. Ou seja, eu sou um lado, se eu falo mal de um lado, eu sou do outro. Nós não temos mais uma política de discussão, mas sim uma política de valores. Ou eu sou contra a corrupção, ou eu sou de direita, ou eu sou de esquerda”, diz.
Recursos de campanha
Para o especialista, o posicionamento chega a ser mais importante que a quantidade de recursos financeiros aplicados. “Você tem uma campanha feita do Meirelles que investiu R$ 43 milhões e teve 1% de votação. E o Cabo Daciolo que investiu R$ 136 e teve 1,2%. Qual é a diferença? É o posicionamento”, explica.
Rodrigo Gadelha explica que esse financiamento deve ser redirecionado para o monitoramento das redes. “Porque o Bolsonaro na eleição toda ele sabia o que mais as pessoas falavam na internet para ele usar no discurso dele. E aí tem um ponto que muito candidato e muito político não se atentou é: o dinheiro sai da produção e entra no monitoramento de redes, no datascience, na inteligência de dados”, afirma.
