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Polícia

Polícia Civil impõe sigilo em investigação da morte de técnico de enfermagem em praia de Manaus

13 de julho de 2026 Polícia
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Ruan Silveira Ferreira, de 31 anos, morreu afogado na Praia da Lua, balneário localizado às margens do Rio Negro (Foto: WhatsApp/Reprodução)
Ruan Silveira Ferreira, de 31 anos, morreu afogado na Praia da Lua, balneário localizado às margens do Rio Negro (Foto: WhatsApp/Reprodução)
Do ATUAL

MANAUS – A Polícia Civil do Amazonas investiga sob sigilo as circunstâncias da morte do técnico de enfermagem Ruan Silveira Ferreira, de 31 anos, ocorrida na manhã de sábado (11), na Praia da Lua, balneário localizado às margens do Rio Negro, na zona rural de Manaus.

De acordo com o relatório da Polícia Militar do Amazonas, equipes foram acionadas por volta das 10h50 para atender uma ocorrência de possível afogamento. No local, policiais, bombeiros, peritos da Polícia Civil e uma equipe do IML (Instituto Médico Legal) encontraram o corpo de Ruan na faixa de areia.

Ainda conforme o relatório policial, pessoas que estavam na mesma lancha utilizada pela vítima informaram que o grupo havia participado de uma festa durante a noite de sexta-feira (10) e, ao amanhecer de sábado, decidiu alugar uma embarcação para seguir até a Praia da Lua.

Segundo o relato prestado aos policiais militares, Ruan “estava muito alcoolizado” e entrou diversas vezes na água para mergulhar. Em um desses mergulhos, ele desapareceu. O corpo foi localizado por banhistas que estavam na praia e participavam das buscas.

O que pode configurar omissão de socorro

Consultado pelo ATUAL, o advogado Kevin Teles explicou que a apuração dos fatos precisa passar, antes de tudo, por perícias técnicas. Segundo ele.

“É preciso apurar os fatos e verificar como se dará a persecução penal, através de exames do IML e exames de sangue, para saber se ele realmente estava alcoolizado. Também é necessário verificar por quanto tempo ele ficou na água, porque, se esse período foi tão extenso a ponto de levá-lo a óbito, é porque ele não foi socorrido a tempo. Se eram amigos dele, é preciso saber se tinham ciência de que ele sabia ou não nadar. Tudo isso precisa ser verificado ao longo da persecução penal.”

Para o advogado, a repercussão do caso deve pressionar por respostas rápidas por parte das autoridades. Ele afirmou.

“No que diz respeito à responsabilidade, ainda mais em um caso midiático como o desse rapaz, desse enfermeiro, certamente a população vai querer uma resposta do Estado — no sentido estrito de cumprimento do múnus público. Ao se verificar se realmente houve omissão de socorro, todos que estavam na lancha terão que ser responsabilizados.”

Vídeo do resgate pode agravar situação jurídica dos ocupantes da lancha

Um vídeo registrado no momento do resgate, que circula nas redes sociais, mostra banhistas retirando o corpo da água, enquanto vários homens e mulheres permanecem na lancha. As imagens levantaram questionamentos sobre a atuação das pessoas que acompanhavam o técnico de enfermagem.

Sobre esse ponto, Kevin Teles avaliou que o registro pode ter relevância jurídica para os ocupantes da embarcação.

“Sim, isso pode agravar a situação. Além da omissão de socorro, essa inércia — não procurar o rapaz mesmo sem confirmação imediata do desaparecimento — pode pesar em uma futura pena.”

Ainda assim, o advogado reconheceu os limites das imagens como prova isolada, já que o vídeo não permite concluir, por si só, quais medidas foram adotadas antes do início da gravação, nem se houve alguma conduta irregular. Para esclarecer esse ponto, ele defendeu que a investigação precisa colher depoimentos e confrontar versões.

“Nesse ponto, será necessário fazer uma oitiva das testemunhas para realizar uma acareação dos fatos. É preciso identificar quem gravou o vídeo e o horário exato da gravação. Por meio da acareação, cada envolvido pode apresentar sua versão dos fatos até se chegar a uma conclusão fática.”

Contradição sobre vínculo com a vítima

Outro trecho do relatório da PM chama atenção: os ocupantes da embarcação informaram aos policiais que não conheciam a vítima, apesar de também relatarem que todos haviam participado da mesma festa e seguido juntos para a Praia da Lua. A aparente contradição deverá ser esclarecida durante a investigação.

Para Kevin Teles, esse é um dos pontos mais sensíveis do caso.

“Com certeza isso pode influenciar a investigação. Afinal, se não conheciam a vítima, por que participavam do mesmo ciclo de amizade? É preciso saber quem, entre os ocupantes da lancha, de fato conhecia a vítima, e se algum deles tinha algum problema com ela. Se for constatado que existia algum tipo de problema entre a vítima e um dos participantes, o que hoje se enquadra como omissão de socorro pode configurar também um homicídio.”

Ele acrescentou que a apuração também deve avaliar o grau de proximidade entre a vítima e os demais ocupantes da lancha.

“Ao longo da persecução penal, será preciso verificar as condições de convívio entre os participantes e o grau de intimidade entre eles.”

O advogado reforçou que a linha entre omissão de socorro e um crime mais grave depende diretamente do que for apurado sobre as relações entre a vítima e os demais ocupantes da embarcação.

“Como eu disse: se for detectado que havia algum inimigo íntimo ou pessoal dele ali, e que tudo ocorreu de forma premeditada, a investigação deixará de tratar apenas de omissão de socorro e passará a apurar homicídio.”

Polícia Civil mantém sigilo sobre linha investigativa

A reportagem procurou a Polícia Civil do Amazonas para saber qual delegacia conduz o caso, se as pessoas que estavam na lancha já prestaram depoimento, qual a versão apresentada por elas, quantos ocupantes havia na embarcação e quais possíveis crimes estão sendo investigados.

Em resposta, a corporação informou apenas que “o caso está sob investigação, e mais detalhes não podem ser repassados para não comprometer o andamento das diligências.”

Sem novas informações oficiais, a Polícia Civil não confirmou se os ocupantes da lancha já foram ouvidos nem informou a linha investigativa adotada até o momento.

A morte de Ruan causou grande comoção entre familiares, amigos e colegas de profissão, que utilizaram as redes sociais para prestar homenagens e cobrar o esclarecimento completo das circunstâncias da tragédia.

Folga antecipada motivou ida à festa, diz irmã

Em contato com o ATUAL, Larissa Silveira Ferreira, irmã única de Ruan, descreveu a rotina de trabalho do irmão e afirmou que ele raramente saía para se divertir. Segundo ela, Ruan trabalhava em regime de plantões em hospitais da cidade, o que limitava suas saídas a, no máximo, uma vez por mês.

De acordo com Larissa, a folga que Ruan tirou no dia da festa havia sido antecipada — originalmente prevista para sábado, foi concedida na sexta-feira, quando ele então decidiu comparecer ao evento que antecedeu a ida à Praia da Lua. A irmã disse não saber o motivo da antecipação da folga.

Questionada sobre relatos de que a vítima estaria muito alcoolizada e sobre a informação de que os ocupantes da lancha afirmaram não conhecê-lo, Larissa evitou comentar.

“Onze pessoas viram Ruan se afogando”, diz primo

Renan Rodrigues, primo da vítima, afirmou ao ATUAL que a principal revolta da família é com a atitude das pessoas que estavam na lancha no momento do afogamento. Segundo ele, onze pessoas que estavam no local viram Ruan se afogando e, mesmo assim, não teriam prestado socorro.

“Essas 11 pessoas que estavam na lancha viram ele se afogando e continuaram bebendo.”

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Assuntos afogamento, destaque, Investigação, morte, Polícia Civil, sigilo
Thiago Gonçalves 13 de julho de 2026
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