

Por Mariana Ribas, do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O presidente nacional do PT, Edinho Silva, avalia que a polarização política impede que o país enxergue os êxitos do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A declaração foi feita em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (2).
“A polarização impede que o país enxergue muitos desses êxitos do governo. Mas na disputa eleitoral a gente não escolhe o ambiente que nós disputamos, nós enfrentamos o ambiente que está em disputa. E mesmo nesse ambiente polarizado, eu penso que o presidente Lula consegue enfrentar o debate”, disse Edinho Silva.
Para ele, essa é uma das campanhas mais disputadas da história do país. “Se em 2022 tivermos uma campanha polarizada, em 2026 essa polarização se repete”.
Ele defende que é um movimento político que não ocorre apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Avaliou, ainda, que em decorrência da polarização, muitas eleições devem ser definidas em primeiro turno.
Milícia
Edinho Silva disse que “quem alimenta relação com milícias não tem autoridade para sequer apresentar um projeto de segurança pública”, ao se referir indiretamente ao principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, candidato Flávio Bolsonaro (PL). Silva criticou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e defendeu uma reforma política e do Judiciário.
“O presidente Lula tem autoridade para criar um grande pacto pela segurança pública no Brasil. Ao contrário do nosso adversário, que tem relações com as milícias do Rio de Janeiro, e quem alimenta relação com milícias não tem autoridade para sequer apresentar um projeto de segurança pública, porque segurança pública e estrutura de milicianos não combinam. As milícias só crescem na ausência de programas de segurança pública”, disse.
Em um momento seguinte, ele afirmou: “O candidato a presidente que defende as milícias, que elogia as milícias, que impede que o assassino de uma menina de 5 anos vá a júri por conta de relações que esse assassino tenha com escritório do crime, com a estrutura de milícias do Rio de Janeiro, evidente que o povo brasileiro tem que refletir sobre isso”, disse.
Reformas
Silva defendeu reformas políticas e eleitorais, além de uma reforma do Judiciário. “É evidente que o Brasil precisa de reformas profundas, precisamos de reforma do Poder Judiciário e o último período mostra isso, é uma vontade da sociedade brasileira”, afirmou. Em relação a reforma política, ele disse que o sistema político “apodreceu” e criticou o uso que o Legislativo tem feito das emendas parlamentares: “O Congresso Nacional não pode ser movido por um processo de negociação de emendas e que tem gerado uma avalanche de denúncias e investigações”, disse.
“Se a gente não fizer reforma política eleitoral, daqui a pouco nós vamos ter um Congresso formado de influencers que não sabem o que é SUS, não sabem o que é Pacto Federativo, não sabem o que é Sistema Único de Assistência Social, não sabem o que é uma LOA”, disse.
Governo Bolsonaro
“É bom lembrarmos a situação que o presidente Lula assumiu em 2023: um País vindo do governo Bolsonaro desastroso, do ponto de vista da desorganização das políticas públicas, da economia”, disse. “É sempre bom termos memória de que foi um governo que optou pelo negacionismo, desorganizou o SUS. O Brasil abriu 714 mil covas, portanto, na maior tragédia humanitária da nossa história”, complementou. Ele defendeu que Lula restabeleceu o papel do Brasil no mundo.
Segundo turno
Edinho Silva disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai aos debates do segundo turno e que quer “confronto direto” com seu adversário Flávio Bolsonaro (PL). Edinho afirmou que a campanha está preparada para o segundo turno e que o partido estará aberto para conversar com outras forças políticas.
O petista fez uma ressalva de que talvez o presidente não consiga ir em todos os debates que for convidado. “Ele vai no segundo turno, ele vai aos debates. Não sei se ele tem agenda para ir a todos, mas ele vai aos debates porque vai ter o confronto direto, ele e Flávio, que é o que ele quer. Ele quer que o povo brasileiro enxergue a diferença”, disse.
Edinho também comentou sobre a polêmica da ausência de Lula nos debates do primeiro turno e disse que o presidente Lula nunca afirmou que ia aos debates nessa etapa da eleição, defendendo que o debate não pode gerar desgaste de um candidato.
“Ele não falou que ia e em última hora deixou de ser, ele falou que não ia. Para que vai pôr uma cadeira com o nome dele se ele já disse que não ia?”, disse, ao se referir à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinou que a TV Globo não poderia exibir o púlpito vazio de Lula no debate de quinta, antes de ser cancelado. Ele também afirmou que se Lula tivesse ido ao debate, teria sido uma das maiores vítimas de Renan Santos, candidato do Missão.
Edinho afirmou que o partido está preparado para o segundo turno “O PT vai estar aberto para conversar com outras forças políticas para que a gente possa construir uma ampla política de alianças para a reeleição do presidente Lula”, disse.
Ainda sobre o segundo turno, ele comentou que acredita que haverá uma movimentação de voto útil nessa reta final, que é um fenômeno de uma eleição polarizada.
Congresso Nacional
Em relação a eleição no Congresso Nacional, Edinho disse estar otimista em relação ao Senado e disse estar “confiante que o campo democrático faça maioria” na Casa Legislativa. Sobre a Câmara dos Deputados, o petista afirmou que estão calculando a possibilidade do partido passar de 80 parlamentares na Casa após esta eleição.
Interferência internacional
Edinho comentou que não pode haver interferência internacional na eleição brasileira e que o presidente norte-americano, Donald Trump, é o “maior líder fascista do século 21”, por suas políticas contra imigrantes.
“Para mim, o Trump é o maior líder fascista do século 21. Não há dúvida em caracterizar isso, porque a forma como ele persegue imigrantes, a forma como ele é violento com os imigrantes nos Estados Unidos, usando países vizinhos como se fosse campo de concentração”, disse.
