
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – O repentino aumento do preço dos combustíveis no Brasil, que todo o brasileiro sabe o motivo, animou a patota do PL de Bolsonaro, que colocou o tema em uma nova linha de montagem de sua fábrica de mentiras. Comandada por Flávio Bolsonaro, a máquina de fake news passou a associar o aumento de preços ao governo atual, sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em dois posts no X, o pré-candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro tenta criar um novo vilão para o aumento de preços, quando todo brasileiro sabe que os vilões são seus aliados: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que iniciaram uma guerra contra o Irã, também justificada à base de mentiras.
No primeiro post, publicado na manhã de segunda-feira (16), Flávio Bolsonaro apresenta um vídeo de uma reportagem do SBT, mostrando um posto de combustíveis que vende a gasolina aditivada premium a R$ 9,99. O posto fica na capital paulista. Na legenda, Flávio escreve: “Esse é o custo da incompetência petista. Chega de PT! Lula nunca mais!”
No segundo post, feito 10 horas depois, Flávio Bolsonaro mostra os preços dos combustíveis do mesmo posto da reportagem do STB e de outros estabelecimentos (gasolina com preços que variam de R$ 8,58 a R$ 9,99), acompanhada de um vídeo antigo de Lula criticando os preços dos combustíveis em dólar da época do governo Bolsonaro, que elevou os preços à estratosfera sem motivo externo, como a atual guerra contra o Irã. Na legenda, o filho primogênito de Bolsonaro escreve: “A realidade, mais uma vez, insiste em desmentir o Lula. E o consumidor, como sempre, pagando pato. Não dá!”
As mentiras dos membros do PL são tão deslavadas que ofende os mais desinformados dos brasileiros. Todo cidadão, do trabalhador desempregado ao doutor, sabe que o Brasil vivia uma estabilidade econômica, apesar de a mídia golpista tentar distorcer os fatos cotidianamente. Os preços dos combustíveis no governo Lula foram estabilizados e estavam em queda nos últimos meses.
A inflação no Brasil está controlada, com os preços dos alimentos também em queda, de acordo com os índices oficiais que medem as mudanças na economia brasileira. Não haveria motivo algum para o aumento dos preços dos combustíveis. A guerra promovida por Estados Unidos e Israel, governados por aliados de Flávio Bolsonaro, criou as condições para a escassez do petróleo em todo o mundo, e gerou aumento de preços.
No Brasil, a Petrobras não elevou o preço da gasolina até esta terça-feira (17). Mesmo assim, em todos os Estados os preços foram reajustados para cima. O que a Petrobras elevou foi o preço do diesel, mas ao mesmo tempo o governo reduziu os impostos federais, deixando o combustível vendido para as distribuidoras com valor menor do que antes do reajuste. Mesmo assim, as distribuidoras e os postos elevaram os preços na bomba para o consumidor.
E por que a Petrobras não elevou o preço da gasolina? Porque o Brasil é autossuficiente na produção do combustível e dispõe de reservas que garantem o abastecimento, com a necessidade mínima de importação do produto.
O diesel é mais dependente do mercado externo. O Brasil importa de 25% a 30% do que consome de diesel. Com o preço internacional muito alto, os importadores estavam parando de trazer o combustível e havia risco de desabastecimento.
Por isso, a Petrobras aumento em R$ 0,38 (trinta e oito centavos de Real) o preço do litro, mas o governo reduziu os impostos (PIS/Cofins zero) na proporção de R$ 0,32 (trinta e dois centavos de Real) por litro. Além disso, o governo Lula criou um subsídio para produtores e importadores de diesel equivalente a R$ 0,32 por litro.
Com essas medidas, o impacto para o consumidor, ou seja, o aumento no litro do diesel, deveria ser de R$ 0,06 (seis centavos de Real). Mas não foi o que ocorreu. As distribuidoras e postos, valendo-se do chamado livre mercado, aumentaram os preços ao limite que quiseram.
Os Estados deveriam mobilizar seus órgãos de fiscalização para coibir os preços abusivos, como ocorre em São Paulo, governado por um aliado do bolsonarismo Tarcísio de Freitas. O Procon paulista cruzou os braços e assiste de longe à farra dos revendedores.
Flávio Bolsonaro acredita que a mentira sobre o tema vai lhe render votos, porque aposta na ignorância do eleitorado brasileiro.
Assim como ele, no Amazonas, o presidente do PL, Alfredo Nascimento, foi a um supermercado gravar vídeo para falar dos preços dos alimentos, e também culpou o governo Lula pelo que chamou de “absurdo”. Segundo Alfredo, os preços dispararam nas prateleiras.
O ATUAL fez uma reportagem mostrando que o ex-ministro dos Transportes dos governos Lula 1 e 2 e de Dilma Rousseff mentiu. Os números do governo Bolsonaro tanto dos preços dos alimentos quanto da cesta básica destroem o argumento do presidente do PL local.
Mas é assim que a extrema direita costuma tratar os temas brasileiros. Eles apostam na mentira porque sabem que ela “rende” mais likes e audiência nas redes sociais, principalmente entre os fanáticos bolsonaristas, que não hesitarão em compartilhar o conteúdo falso.

