
Do Estadão Conteúdo
SÃO PAULO – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira (6) que o Pix vai permanecer como uma infraestrutura pública digital. Esse modelo é importante para evitar que haja conflitos de interesse ao incluir ou retirar participantes do sistema, afirmou.
“Como a gente viu agora também, o Pix revela uma infraestrutura estratégica e crítica para o país, é uma segurança para o país que ele seja gerenciado e administrado para o Banco Central”, disse o banqueiro durante um discurso no evento Blockchain Rio, no Rio de Janeiro.
No mesmo evento, Galípolo repetiu que é importante aumentar o nível de colateralização para reduzir o custo do crédito no Brasil. Ele afirma que as taxas de juros cobradas do tomador são muito altas, o que diminui a eficiência da política monetária.
“O custo que as pessoas físicas e jurídicas pagam no crédito costuma ser, no Brasil, um múltiplo da Selic”, disse o presidente do BC. “Conseguir reduzir essas fricções e apresentar garantias é a maneira correta de reduzir a percepção de risco para quem está concedendo crédito e conseguir reduzir o spread e reduzir a taxa de juros”.
Galípolo também repetiu que o Pix em Garantia, que faz parte da agenda evolutiva do sistema de pagamentos, deve permitir a colateralização e reduzir o custo do crédito.
PEC 65
O presidente do Banco Central defendeu que é “essencial’” aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65, que garante a autonomia financeira e orçamentária à autarquia. Sem isso, o BC pode se tornar “vítima das próprias entregas”, por causa do custo de manutenção do Pix, por exemplo.
“É essencial que a gente consiga avançar nessas agendas para que o Banco Central não sofra com, e seja vítima, das próprias entregas que ele fez”, disse o banqueiro central, na abertura da Blockchain Rio, no Rio de Janeiro. “Vou pontuar efetivamente o caso da PEC, que permite ao Banco Central ter recursos para que ele possa manter o Pix na condição que ele tem hoje”.
Galípolo vem defendendo a necessidade de “atualizar o arcabouço institucional” do BC, mas não costuma citar a PEC nominalmente. O texto está parado desde o ano passado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), aguarda que a autoridade monetária envie sugestões à medida, para que ela possa ser votada.
O presidente do BC explicou que o gasto com tecnologia, hoje, está caminhando para atingir metade do orçamento da autarquia. Ele ponderou que até 70% do valor investido para gerar inovação – por exemplo, com a agenda evolutiva do Pix – continua sendo gasto depois, para dar manutenção aos sistemas. E negou que a aprovação da PEC possa levar a qualquer consequência negativa.
“Se inventa todo tipo de versão e narrativa maluca, quando, na verdade, o que a gente enxerga é o contrário: a gente precisa seguir avançando e garantir ao Banco Central que ele tenha um arcabouço legal, institucional, financeiro e orçamentário, para que ele possa suportar as inovações que ele produziu no sistema, e consiga continuar entregando o nível de excelência que ele entrega nos serviços para a população”, disse. “Senão, a gente vai ter o orçamento do Banco Central espremido”.
