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Economia.

Pirataria nos rios da Amazônia causa prejuízo de R$ 100 milhões, diz Sindarma

29 de março de 2018 Economia.
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Dodó Carvalho, presidente do Sindarma, defende criação de Polícia Fluvial para combater a pirataria (Foto: Cimone Barros/Inpa)
Dodó Carvalho, presidente do Sindarma, defende criação de Polícia Fluvial para combater a pirataria (Foto: Cimone Barros/Inpa)

Da Redação

MANAUS – Pirataria e falta de ordenamento são os principais problemas enfrentados pelo transporte hidroviário na Amazônia, diz o presidente do Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas), Claudomiro Carvalho Filho, conhecido como ‘Dodó Carvalho’. A situação foi exposta na 52ª Reunião do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (Geea) do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), em Manaus, nesta quinta-feira, 29. O prejuízo é de R$ 100 milhões por ano.

“Estamos sendo saqueados nos nossos rios. Nós não temos polícia nos rios, como se tem nas estradas ou nas cidades. Precisamos da presença da polícia ou da segurança nacional”, disse Dodó Carvalho. “Estamos perdendo mais de R$ 100 milhões por ano com esses crimes. E eles (piratas, barrigas ou ratos d’água como também são conhecidos) estão se capitalizando e evoluindo em suas ações.  Junto ao roubo de cargas também circula a droga, o comércio ilegal de armas e a prostituição infantil”, alertou.

Em 2017, foram transportados 9,8 milhões de passageiros e 3,4 milhões de toneladas de cargas na Amazônia, segundo o estudo Caracterização da Oferta e da Demanda do Transporte Fluvial de Passageiros e Cargas na Região Amazônica, divulgado no início de fevereiro deste ano pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

O presidente do Sindarma defende a criação de uma Polícia Fluvial, por parte do Governo do Amazonas, a exemplo do Batalhão Fluvial no Pará. No Amazonas, há uma tratativa com a Secretaria de Segurança Pública, que planeja a estruturação de uma base que ficará no Encontro das Águas. “Essa será nossa primeira experiência voltada para o rio. Estamos muito esperançosos de que essa base possa ao menos mapear os problemas dos rios para depois termos outras bases em Tefé-Coari, no rio Madeira e no Baixo Amazonas”, afirmou Carvalho.

Outro problema levantado pelo empresário é a falta de regulação das linhas do transporte hidroviário estadual. De acordo com o estudo da Antaq, no Amazonas há 73 linhas de transporte longitudinal estadual (realizado ao longo de rios e canais), 57 portos de embarque, 213 embarcações que transportam 1,6 milhão de passageiros e 999,1 mil toneladas de carga. “Como transportamos toda essa quantidade de pessoas e não dizemos quem está autorizado?”,  questionou.

No quesito transporte de cargas, a ordenação do rio Madeira é fundamental para o setor e esse rio é a principal rota de escoamento de grãos vindos de Rondônia, e Mato Grosso, bem como do combustível que abastece os estados do Acre, Rondônia e Mato Grosso, além de ser a porta de entrada de 40% do que se consome em Manaus. Por outro lado, a principal hidrovia da região é o rio Amazonas, sendo a principal rota o trecho que vai de Manaus a Belém e por onde circulam os navios e comboios que vão e vem de outras regiões do Brasil e também do exterior.

“O Madeira é um rio muito importante para nossa navegação e integração, mas quando chega o verão temos o problema de dragagem e garimpo ilegal. Precisamos ordenar isso para fazermos uma navegação segura”, cobrou Carvalho.

Para o secretário-executivo do Geea, o pesquisador Geraldo Mendes, a água é vital para a economia, o desenvolvimento, mas não pode ser vista somente por esses aspectos. “Não podemos esquecer da água como espaço vital para os peixes e outros organismos aquáticos e isso precisa ser colocado na balança”, lembrou Mendes. “Outro aspecto também importante é a água usada para o turismo. Quem não gosta de pegar um barco, ir para um lugar e ter uma natureza bem preservada, com mata, água límpida?”, disse.

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Assuntos Amazonas, Amazônia, Rio Madeira, Sindarma
Cleber Oliveira 29 de março de 2018
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