
Do ATUAL
MANAUS — A seca do Rio Negro em Manaus deve ser de intensidade fraca em 2025. A profundidade na orla da capital é estimada entre 17,70 m e 18,90 m, segundo projeção do SGB (Serviço Geológico do Brasil) divulgada nesta quarta-feira (17).
De acordo com a nota técnica elaborada pelos pesquisadores Andre Martinelli Santos, Artur Matos, Bruna Gomes Amancio e Marcus Suassuna Santos, o período de estiagem com cota abaixo de 20 metros deve variar entre 60 e 85 dias. Essa é uma cota de referência para o monitoramento da navegação, “ainda que não necessariamente implique restrições a essa atividade”. A cota atual é de 24,9 metros.
“O SGB ressalta que a comunidade de Manaus começa a sentir impactos mais severos para a navegação em torno da cota de 16 m e entra em alerta em torno da cota de 17 m. Ou seja, não se prevê impactos significativos a partir dos cenários traçados para a vazante de 2025”, afirma o SGB.
Ainda segundo os pesquisadores, em um cenário mais severo — com descidas intensas e atraso no início da estação chuvosa — o rio poderia se aproximar da cota de 17,3 metros. O SGB, no entanto, considera essa possibilidade pouco provável diante da atual situação da bacia e reforça que, mesmo que ocorra, o nível ainda estaria dentro da normalidade para o período.
As projeções foram feitas a partir da série histórica do Rio Negro (1903–2024) que registros de 122 anos e informações sobre os fenômenos El Niño e La Niña (ENSO), que influenciam os padrões de chuva na Amazônia. Para 2025, a expectativa é de neutralidade climática em condições próximas à média histórica. O cenário contrasta com as secas extremas de 2023 e 2024, associadas a um dos episódios mais intensos de El Niño já registrados.
“Desde o início do século passado, as mínimas anuais tiveram flutuações de longo prazo, contudo é observada uma redução média de 4,3 cm por ano desde 1970, o que indica que as vazantes têm sido cada vez mais severas”, afirmou Marcus Suassuna. Em 2024, o Rio Negro chegou a 12,13 m, o menor nível registrado durante a seca extrema.
Os pesquisadores também identificaram forte correlação entre cotas mínimas e duração das estiagens: quanto mais baixos os níveis, maior o tempo de recuperação do rio. “Essa relação é importante para qualificar a gestão dos recursos hídricos, uma vez que não só o mínimo é importante, mas também o tempo em que alguma restrição de uso pode ser observada”, afirmam no documento.
Outro ponto observado é a variação entre níveis máximos e mínimos em um mesmo ano, que tem aumentado nas últimas décadas. “A diferença entre as máximas e mínimas cotas anuais era de cerca de 8,6 m em 1970 e atualmente essa amplitude média é de 12,8 m, um aumento estimado de 4,2 m. As diferenças entre os níveis máximos e mínimos anuais nos anos de 2023 e 2024 foram de 15,6 e 14,7 m, respectivamente, as máximas variações de nível de todo o histórico de monitoramento em Manaus”, explicou Suassuna.
Essa oscilação mais intensa amplia os desafios para o manejo dos recursos hídricos e para a segurança das populações que dependem dos rios na Amazônia.
