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Dia a Dia.

Pesquisador estima cheia ‘alarmante’ do Rio Negro neste ano

17 de março de 2017 Dia a Dia.
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Jochen Schongart - Foto Luciete Pedrosa-Inpa
Jochen Schongart estima cheia intensa do Rio Negro com pico em junho (Foto: Luciete Pedrosa/Inpa)

Da Redação

MANAUS – Comum no Amazonas, a cheia do Rio Negro alaga cidades no interior e áreas do Centro de Manaus. Normalmente, o pico ocorre na segunda quinzena de junho. Este ano, o nível do rio deve ficar entre 28,88 e 29,48 metros (média de 29,18 metros). Nesse patamar, a cheia terá impactos sociais e econômicos para as zonas urbanas críticas e para os ribeirinhos, diz o pesquisador Jochen Schongart, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).

“Teremos novamente uma cheia acentuada, que continua nessa tendência no aumento da frequência e intensidade das cheias, o que se tem observado nos últimos 30 anos”, diz o pesquisador, que faz parte do grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua).

A média histórica do rio Negro é de 27,87 metros com base nos dados que se tem desde 1903. A margem de erro para a previsão deste ano é de 30 centímetros para cima ou para baixo.

Para Schongart, a previsão de cheia em 29,18 metros é “alarmante” porque ocorreram seis grandes cheias com mais de 29 metros nos últimos dez anos. “Tivemos grandes cheias em 2009, 2012, 2013, 2014 e 2015 e, este ano, também será uma grande cheia. Isso é algo que nunca foi observado nos dados que existem desde setembro de 1902”, disse.

Em 2015, o nível do rio atingiu 29,66 metros, em 2014 e 2013 foram registradas as marcas de 29,33 metros e 29,50 metros, respectivamente, e em 2012, atingiu 29,97 metros, a maior cheia no registro, e em 2009, foi de 29,77 metros. Antes disso, Manaus teve cheias acima de 29 metros somente na década 1970 (1971, 1975, 1976), e nos anos de 1953, 1922 e 1909.

Schongart disse que a variabilidade de cheias na Amazônia Central depende muito das condições do Pacifico Equatorial. “No ano passado, tivemos a forte influência do fenômeno El Niño (aquecimento das águas superficiais na região central e leste do Pacífico Equatorial que resultou numa cheia não muito forte e que ficou abaixo da cheia nos níveis máximos históricos, alcançando 27,18 metros” explicou. “O valor previsto para este ano está exatamente a dois metros acima desse valor”, destaca o pesquisador, acrescentando que outro fator que resulta na intensificação do regime de cheias são oscilações multidecadais como a Oscilação Decadal do Pacifico (ODP) que tem fases frias e quentes e que duram 20 a 30 anos. “Quase todos os anos com cheias acima de 29 metros no registro ocorreram durantes fases frias da ODP”, destaca.

Schongart disse que estas cheias mais pronunciadas muitas vezes são causadas pelo fenômeno de La Niña, que ocorreu no ano passado se formando no Pacífico Equatorial. “A La Niña é o esfriamento das águas superficiais na região central-leste do Pacífico Equatorial que intensifica as circulações atmosféricas trazendo mais chuvas para a Amazônia”, explica. “E essas chuvas que caem nas cabeceiras acima das condições normais resultam numa grande cheia”.

O pesquisador também comenta que o nível das águas em janeiro subiu de maneira tão rápida e que isso nunca foi observado nos dados que se tem no Porto de Manaus nos últimos 114 anos. “No início de janeiro, a enchente aumentou mais de 20 cm por dia. Essas diferenças diárias altas são algo comuns para as vazantes, mas para as enchentes é algo totalmente anormal”.

Alerta

O pesquisador lembra que já há casos alarmantes como, por exemplo, na região do Alto Juruá, e alerta as autoridades para que se preparem para enfrentar a cheia na região de Manaus e no entorno, dando suporte aos moradores nas zonas urbanas críticas e aos ribeirinhos, que já devem começar a programar suas atividades econômicas com a colheita das roças e a retirada do gado para áreas de terra firme ou em cima de marombas. “Com relação à extração de madeira, esta será favorável porque terá fácil acesso às florestas alagáveis. Mesmo àqueles que estão em topografia mais altas, a cheia facilitará este tipo de atividade econômica, mas para outras atividades (agropecuária e agricultura), a cheia poderá trazer grandes impactos”, diz Schongart.

(Com assessoria do Inpa)

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Assuntos Amazonas, Inpa
Cleber Oliveira 17 de março de 2017
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