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Geral

Pedra azul que encantou Napoleão é destaque em exposição no Rio

14 de dezembro de 2017 Geral
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Do Estadão Conteúdo

RIO DE JANEIRO- Uma pedra azul de rara beleza, cobiçada por Napoleão Bonaparte e trazida para o Brasil pela família real portuguesa em fuga, é um dos maiores destaques da exposição que será inaugurada nesta quinta-feira, 14, no Museu Nacional da UFRJ, naF Quinta da Boa Vista, no Rio. São amostras de 60 minerais, das mais diferentes partes do planeta, que integram a primeira coleção científica do acervo do museu e que nunca antes tinham sido expostas conjuntamente.

As peças fazem parte da Coleção Werner, organizada e classificada no século 18 pelo geólogo alemão Abraham Gottlob Werner (1749-1817), considerado o fundador da mineralogia moderna. A coleção é composta por pedras raras originárias de minas esgotadas ou fechadas há muitos anos. Uma das mais belas é justamente aquela que despertava o interesse do general francês, com cristais de apatita e cor azul que, durante muito tempo, foi erroneamente descrita como uma água marinha.

A Coroa Portuguesa comprou a coleção de minérios diretamente da Escola de Minas de Freiberg, na Alemanha, cujo maior expoente era Werner. Ele foi o precursor do método de classificação de minerais de forma sistemática por meio de suas propriedades físicas, como cor, traço, brilho e tipo de clivagem. “Era uma coleção conhecida, e a Coroa se interessou em comprá-la”, conta o geólogo Fabiano Faulstich, do Museu Nacional, um dos curadores da mostra. “Mas ela não chegou a ser exposta por lá. Veio para o Brasil.”

Quando a coleção chegou a Portugal, o país já se encontrava em grande convulsão social por causa da guerra contra a França. As caixas com as 3,2 mil pedras ficaram no porto durante meses, sem que ninguém aparecesse para reclamar a sua posse. “Certo dia abriram as caixas e, quando viram que era um monte de pedra, decidiram jogar tudo no rio”, conta Faulstich. “Um engenheiro italiano a serviço da Coroa ficou sabendo da história e interveio, evitando que a coleção fosse perdida.”

No momento da fuga da família real portuguesa para o Brasil, a coleção foi embarcada na nau Medusa. Segundo consta, havia ordens diretas de Napoleão para o confisco das pedras para envio a Paris após a invasão de Portugal.

No Brasil, inicialmente, a coleção foi enviada para a Academia Real Militar (atual Instituto Militar de Engenharia, no Rio), onde era usada nas aulas práticas dos alunos. Nesse tempo, perdeu cerca de 2 mil peças, até ser transferida para o Museu Real em 1819, tornando-se a primeira coleção científica a compor o acervo da instituição. A exposição é um dos primeiros eventos das comemorações dos 200 anos de fundação da instituição, no ano que vem, e, especificamente, dos 200 anos da morte de Werner. “Escolhemos as pedras mais bonitas para homenageá-lo”, disse Faulsich. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Assuntos Exposição, minerais, rio de janeiro, ufrj
Redação 14 de dezembro de 2017
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