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Política

Partidos de oposição entram com pedido de cassação do senador Flávio Bolsonaro

19 de fevereiro de 2020 Política
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Deputado Flávio Bolsonaro recebeu resposta irônica da Netflix sobre série com seu pai, air Bolsonaro (Foto: Vitor Soares: ALERJ)
(Foto: Vitor Soares: ALERJ)
Da Folhapress

BRASÍLIA – Os partidos de oposição PSOL, Rede e PT protocolaram nesta quarta-feira, 19, no Conselho de Ética no Senado, uma representação em que pedem a cassação do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) por quebra de decoro parlamentar.

As legendas indicam como motivação a ligação do filho do presidente Jair Bolsonaro com milicianos, a investigação sobre se houve “rachadinha” -esquema em que funcionários são coagidos a devolver parte de seus salários- no gabinete de Flávio, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro, e a contratação de funcionários fantasmas neste mesmo período.

Na representação, os partidos dizem acreditar que a cassação é possível mesmo que as justificativas apontadas tenham ocorrido antes de Flávio ter tomado posse como senador.

“É possível a cassação de parlamentar que tenha praticado ato indecoroso antes do início do mandato, condicionando-a, contudo, à constatação de que a conduta anterior fosse desconhecida. Os fatos vieram a lume após a eleição de Flávio Bolsonaro ao Senado Federal: o conhecimento público do relatório do Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] é de dezembro de 2018 e as conclusões do MP/RJ [Ministério Público do Rio de Janeiro], de dezembro de 2019”, diz trecho da representação.

Também foi pedido o afastamento temporário de Flávio do cargo de terceiro secretário da Mesa Diretora do Senado.

“A permanência do representado em cargo na Mesa possibilita a retirada da essencial higidez e imparcialidade do processo, vez que potencializa a ocorrência de interferências do processado”, diz o texto.

As suspeitas contra Flávio e o ex-policial militar Fabrício Queiroz tornaram-se o principal motivo de dor de cabeça do presidente Jair Bolsonaro desde sua eleição.
Em dezembro de 2019, os dois foram alvo de operação comandada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

Agentes foram a endereços de Queiroz e de outros ex-assessores de Flávio. Na lista estão parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente.

A suspeita do Ministério Público é que Queiroz operava no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio um esquema de “rachadinha”. O filho de Bolsonaro foi deputado estadual de fevereiro de 2003 a janeiro de 2019.

A Promotoria acredita ainda que Flávio lavou cerca de R$ 2,3 milhões obtidos no esquema por meio de uma loja de chocolates e de negociações de imóveis.
Além disso, há outra complicação na vida de Flávio: sua relação com o  ex-capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, morto na Bahia.

Acusado de integrar uma milícia, ele já acumulava 29 dias de detenções administrativas pela Polícia Militar em junho de 2005, quando foi homenageado na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) por Flávio a pedido de seu pai.

O ex-PM, expulso da corporação em 2014 por envolvimento com o jogo do bicho, já havia sofrido três punições administrativas -duas consideradas leves e uma média- quando recebeu a medalha. Nenhuma delas se refere à acusação de homicídio que respondia na Justiça quando foi condecorado por Flávio.

Quando o então deputado estadual propôs a homenagem, Adriano estava preso sob suspeita de matar o guardador de carros Leandro dos Santos Silva, 24, assassinado em novembro de 2003.

O então policial chegou a ser condenado no Tribunal do Júri em outubro de 2005, mas conseguiu recurso para ter um novo julgamento, foi solto em 2006 e absolvido no ano seguinte.

O ex-policial foi citado na investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro que apura se houve “rachadinha” no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual.

Segundo o MP-RJ, contas de Adriano foram usadas para transferir dinheiro a Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio e suspeito de comandar o esquema de devolução de salários. 

Queiroz e Adriano trabalharam juntos no 18º Batalhão da PM. Foi por meio de Queiroz que familiares do ex-PM foram contratadas como assessoras no gabinete de Flávio: sua ex-mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, de 2007 até novembro de 2018, e sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, de abril de 2016 a novembro de 2018. 

Após mais de um ano foragido, o ex-PM foi morto numa operação policial comandada pela Secretaria de Segurança da Bahia. A polícia investiga as circunstâncias da morte. Seu advogado, Paulo Emilio Catta Preta, afirma que ele temia ser alvo de uma “queima de arquivo”.

Flávio manifestou-se sobre a representação em um comentário de rede social.
“Essa representação dos defensores de bandido condenado em 2ª instância (PT/pÇoU/REDE) não serve nem para limpar o furo!”, escreveu Flávio Bolsonaro.

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Assuntos cassação, Flávio Bolsonaro, oposição, partidos
Redação 19 de fevereiro de 2020
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