
OPINIÃO
MANAUS – O Festival Folclórico de Parintins, neste ano, foi um sucesso de público, mas os visitantes da Ilha Encantada, como os propagadores dos bumbás Caprichoso e Garantido passaram a chamar a cidade, enfrentam problemas gritantes e que poderiam ser amenizados com bom senso e vontade política.
Os problemas começam em Manaus. Dezenas de barcos partem da capital amazonense às vésperas da festa com um número assombroso de passageiros: alguns com 800 pessoas. Essas enfrentam estruturas precárias, que vão desde a distância entre as redes, instalações sanitárias insuficientes e a alimentação precária.
Na chegada a Parintins, grande parte desses barcos ficam atracados em uma orla malcuidada, sem qualquer preocupação com a acessibilidade de quem tem dificuldade de locomoção. Aliás, até para as pessoas sem dificuldade de acessibilidade o local oferece risco.
Nas ruas de Parintins, o trânsito é caótico. Ruas estreitas com carros estacionados dificultam o trânsito de veículos, motocicletas e triciclos motorizados ou por tração humana. É necessário pensar mudanças no trânsito, como o uso temporário de vias de mão única.
O transporte por motocicleta ou triciclos é pouco seguro. Capacete só alguns condutores usam, não há esse equipamento de proteção para os passageiros. Na quinta-feira (27 de junho), nossa equipe presenciou um acidente de um triciclo com uma motocicleta. As duas mulheres que viajavam na carroceria caíram sobre o asfalto e ficaram por baixo do triciclo. Uma teve ferimentos leves nos braços e a outra queixou-se de ter batido a cabeça sobre o asfalto.
Os triciclos não têm padronização, cada um faz o seu da maneira que bem deseja. Muitos oferecem risco, principalmente para crianças e idosos. É preciso agarrar-se às bordas do equipamento para não cair nas curvas, porque a maioria dos condutores estão apressados nas vias com menos trânsito.
Das pessoas que visitam a ilha, é mínimo o número daqueles que conseguem acesso ao bumbódromo. Parte significativa dos ingressos, que foram vendidos entre R$ 1.200 e R$ 2 mil para as três noites, estavam nas mãos dos cambistas, vendidos na frente do bumbódromo entre R$ 2 mil e R$ 3 mil cada noite.
De um lado e outro do bumbódromo forma-se uma fila desde uma semana antes do festival. Pessoas dormem no local, em grupos que se revezam. Para quem acha que chegará na ilha e conseguirá torcer para o seu boi-bumbá preferido na arquibancada da Galera, engana-se. Há muitos na fila que estão ali para vender os lugares para quem está disposto a pagar. E são muitos os que compram.
Mas pagar para ocupar um lugar na fila não é garantia de que conseguirá entrar no bumbódromo. Mais da metade das vagas nas arquibancadas são ocupadas pelas chamadas torcidas organizadas, que também vendem lugares na Galera. Sobra pouco espaço para quem enfrenta Sol e chuva na fila, e para essas pessoas é reservado os piores lugares, atrás das alegorias.
Quem não consegue entrar no bumbódromo, a opção são as festas paralelas, algumas delas nas ruas. De Manaus, neste ano, desembarcou na ilha um grupo de malucos com seus “paredões” de som. Em determinadas ruas, o som ensurdecedor embalava uma multidão alcoolizada, dificultando excessivamente a passagem de pedestres.
Junto com as festas, o lixo produzido pelos brincantes toma as ruas. Um rastro de sujeira toma conta das principais vias onde há aglomeração, e não são poucas, apesar do programa “Recicla Galera”, uma parceria do Governo do Amazonas com o grupo Coca-Cola.
Na sexta-feira, o presidente da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), Marcelo Freixo, e o ministro do Turismo, Celso Sabino, estiveram em Parintins e anunciaram novidades, como um voo de avião direto de Portugal para Manaus, com a promessa de trazer turistas da Europa. A iniciativa é louvável, mas há muito o que se fazer para recebê-los com decência.
Ou será preciso esconder o caos da cidade, e desviá-los por caminhos hoje percorridos por ricos e famosos, que chegam ao bumbódromo em carrões pretos, e descem em frente ao portão de entrada, passando por ruas com acesso exclusivo.
Poderiam as autoridades municipais, estaduais e federais focarem o pensamento e as ações para melhor a infraestrutura da cidade de Parintins para todos os turistas e para os seus moradores. Mas esse é um sonho que talvez os amazonenses não cheguem a ver realizado.
Observação 1: Nada disso tira o brilho do Festival Folclórico e dos artistas que preparam esse espetáculo único e majestoso em Parintins.
Observação 2: Tem coisa boa Parintins, como comida a preço justo, bem abaixo do que se encontra em Manaus. Mas também não faltam vendedores ambulantes de comidas por toda a parte, para todos os gostos e bolsos.


Além desses problemas apontados, o que observei é a forma como são entregues as bagagens nas chegadas nos portos de Parintins e Manaus, advindos das lanchas rápidas. Há que ser pensado uma melhor forma para ser entregue, pois todos os passageiros se aglomeram em frente da lancha para receber suas bagagens gerando até tumultos para passar.
Fora o sinal de Internet que não tem ou não existe praticamente nada de sinal…
Parabéns, isso é de suma importância para o desenvolvimento local, que bom seria se essas observações realmente fossem colocadas em prática na cidade de Parintins, falo com filho da terra, e de fato isso é uma verdade.
Parabéns pela ótima observação.
Durante e após o festival a ilha não consegue se movimentar por falta de sinalização, a mobilidade urbana fica um caos. E o que é mas grave e quando termina o festival, as agremiações fazem o translado das alegorias e aí é um outro caos. O caprichoso faz a principal artéria de puxadinho do galpão deixando os veículos circularem por vielas estreitas e aí começa o gira gira atrás de ruas para se mover para outro ponto da cidade. O governo municipal e estadual poderiam juntos solucionar esse caos na ilha durante o festival.
Vou a Parintins a mais de 20 anos e nada mudou para melhoraria da cidade. Não tem lixeiras na vias pública, não tem chuveiros públicos nos principais pontos de aglomeração ( Comunas, praça do Cristo e Chapão) caixas eletrônicos somente nas agência, deveria ter pelo meno nos período do festival caixas eletrônicos nas drogarias). Só facilitam e camuflam a cidade para os turistas que tem dinheiro. Agora para o povão que movimentam a renda da cidade nada fazem. Esse ano a cidade foi recorde de lixos espalhados pela cidade.
Sem contar o número absurdo de furtos de celulares.
Muito interessante seu com comentário. Embora esse evento já perdure mais de 40 anos, esses problemas apontados são inquietações de toda a população parintinense e principalmente agora que a nossa cultura atingiu um reconhecimento merecedor, graças aos artistas locais e resistência dos moradores que encontraram nesse período uma maneira de ganhar um rendimento, uma vez que a cidade não oferece emprego, principalmente para os jovens. Mais ainda, queria saber a contrapartida que é dada aos grupos das etnias indígenas que são os principais protagonistas do evento. Será que são reconhecidos,?
Concordo com todo o artigo escrito. Na questão do trânsito é bem difícil motos e carros andam juntos com as pessoas sem.nenhuma segurança nos remetendo aquelas cidades na Índia. Aqueles triciclos além de caros, não oferecem o mínimo de segurança, colocando 4 pessoas em cima de uma moto, como se fossem carros e apenas o piloto usa capacete.
Outro ponto que achei desumano foi aquelas filas imensas ao redor.do bumbodromo, as pessoas ficaram pegando aquele sol imenso o dia todo em pé para ter o prazer de ver o seu boi favorito, mas nem todos apesar de todo o esforço conseguiam entrar.
Todo o artigo está perfeito…fui e presenciei exatamente com essa mesma visão
Eu aí da não fui a parintins por causa de hospedagem, não consigo informações confiáveis sobre hotéis ou pousadas tenho muito receio de pagar e chegar e não ter a vaga ou hotel se alguém puder me passar informações confiáveis sobre hotel e pousada vou agradecer e meu sonho assistir o festival
Um espetáculo mágico e maravilhoso como é o festival, deveria ser bem mais organizado.
As pessoas pagarem ingressos e não conseguirem assistir, é muito triste.
Deveria ser bem mais organizado.
Um espetáculo inigualável
Tudo isso é observável há muito tempo. Porém, a população não é vista pelo poder público. Portos precários em Manaus, viagens em barcos mal higienizados, hiperlotados, ao chegar em Parintins, a prefeitura que tem muito tempo para criar um plano de acolhimento dos turistas não o faz.
Com essas brigas políticas. Quem perde é a população.
Que não sabe cobrar e muitos se vendem apenas para ter uma contemplação individual. Nunca olhando o coletivo.
Fui no ano passado, e fiquei muito decepcionado com a infraestrutura como foi colocado aqui… A prefeitura de Parintins é uma vergonha. Tenho um amigo que tem uma agência de viagem na Flórida, ele já pensou em trazer turista para lá… Mais devido a segurança e a estrutura social que é precária ele desistiu.
O festival é incrível, mas a cidade não está preparada pra receber tanta gente. Fiquei um dia na fila e consegui entrar. É muito triste ver a quantidade absurda de lixo nas ruas. A estrutura do bumbódromo já está defasada faz tempo, entradas e saídas estreitas, não comportam mais a quantidade de pessoas. Todos os apontamentos da matéria são ótimos. Parabéns. Mas a infraestrutura do município precisa de atenção para que possa melhorar a vida dos moradores e atender bem os visitantes. Aliás, o aeroporto é super pequeno, também precisa de ampliação e modernização.
Sem dúvida, há muito a ser feito e corrigido. Estamos no século XXI, na era tecnológica, IA etc, e não se consegue resolver questões de como acessar ao bumbódromo de modo decente. Esquece-se ainda a quantidade de resíduos produzidos pelos dois Bumbás. Ferros, plásticos, isopor, e tudo mais que vão se acumulando nos dois galpões. Está a olhos vistos é só passar em frente. E ninguem procura soluções. Não é possivel, como disse anteriormente, no mundo atual, que não se consiga uma solução para esses problemas.