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Lula e PT recuam nas críticas a Joaquim Levy

30 de outubro de 2015 Política Política.
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EX-PR LULA EURO CAMARAS 02
Oito horas após abrir a reunião do PT, Lula jantou com Dilma e ministros (Foto:Euro Câmara)

BRASÍLIA – A cúpula do PT recuou nesta quinta-feira, 29, das críticas mais ácidas ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e decidiu não mais cobrar a demissão do comandante da economia. A pedido do Palácio do Planalto e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também voltou atrás no bombardeio contra Levy, o Diretório Nacional do PT aprovou, por 47 votos a 26, uma resolução política que poupa o ministro e dá apenas leves estocadas na política econômica.

A estratégia também faz parte de um esforço para amenizar a crise no governo, depois que Lula responsabilizou a presidente Dilma Rousseff pela ação de busca e apreensão da Polícia Federal na empresa de seu filho caçula, Luís Claudio, na última segunda-feira, em São Paulo.

Oito horas após abrir a reunião do PT, Lula jantou com Dilma e com os ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), além do presidente do partido, Rui Falcão, no Palácio da Alvorada. Contou a ela que havia feito um discurso “para cima”, na abertura do encontro, e pedido apoio para as medidas de ajuste fiscal.

“Vamos tocar em frente. As coisas estão difíceis, mas vão melhorar”, disse ele, de acordo com relato de um dos participantes do encontro. Há dez dias, em conversas reservadas com Dilma e também com deputados do PT, Lula afirmou que Levy tinha “prazo de validade” e defendeu a sua substituição. A retórica de ontem, no entanto, foi bem diferente.

Diante da plateia petista, o ex-presidente admitiu que Dilma venceu a disputa do ano passado contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) com um discurso contrário ao ajuste fiscal, mas, depois, foi obrigada a rever tudo o que havia prometido.

“Nós tivemos um grande problema político, sobretudo na nossa base, quando tomamos a atitude de fazer o ajuste que era necessário fazer”, reconheceu o ex-presidente. “Ganhamos as eleições com um discurso e, depois, tivemos que mudar o discurso e fazer o que dizíamos que não íamos fazer.”

Para Lula, a sociedade quer que Dilma dê um sinal de que está governando o País porque “ninguém aguenta” passar mais seis meses discutindo ajuste fiscal. “Vocês agora falam ‘Fora Levy’ como já falaram ‘Fora Palocci'”, lembrou o ex-presidente, numa referência a Antônio Palocci, que foi ministro da Fazenda entre 2003 e 2006. “Mas ninguém quer arrumar a economia mais rápido do que a Dilma. A única condição de a gente voltar a ter o prestígio que o PT já teve é recuperando a economia.”

Com todos esses recados, a resolução aprovada pelo Diretório do PT desbastou ainda mais as críticas à política econômica feitas no 5.º Congresso do partido, em junho. Na ocasião, o coro “fora Levy” também havia sido abafado, por ordem do Palácio do Planalto, mas o PT conseguiu expressar na Carta de Salvador suas principais divergências em relação às medidas propostas pelo ministro.

Governabilidade

O documento que passou ontem pelo crivo dos petistas, porém, diz apenas que o movimento para recuperar as condições de governabilidade tem mais chances de êxito “se acompanhado por mudanças na política econômica que o PT vem sugerindo desde a realização do 5.º Congresso, em Salvador”.

Em outras seis linhas, o partido também condenou os cortes nos gastos sociais, nos investimentos públicos e considerou “extremamente positiva” a proposta de recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Os petistas pediram, ainda, medidas que aumentem a tributação sobre a renda e a propriedade dos mais ricos, “ao mesmo tempo em que o governo reduz seus gastos financeiros, através do rebaixamento paulatino da taxa de juros”.

Na última hora, a direção do PT retirou da resolução final um parágrafo dizendo que o ajuste fiscal e a reforma ministerial com maior peso conferido aos partidos de centro provocavam “tensões e divisões”. Embora não citasse o PMDB, o texto não deixava dúvidas sobre a quem os petistas se referiam.

Questionado por que motivo o parágrafo foi retirado da resolução Falcão afirmou que o partido achou melhor evitar mais ruídos. “A gente não quer que isso seja mal interpretado”, argumentou Falcão. O presidente do PT, que já chegou a pedir a saída do ministro da Fazenda, disse ontem que nunca pregou o “Fora Levy”. “Eu não ‘fulanizo’ esse debate”, comentou.

Seis correntes do PT mais à esquerda apresentaram uma proposta de resolução cobrando mudanças radicais nos rumos da economia, “para gerar empregos e recompor salários”, mas foram derrotadas.

Cunha

 A resolução política aprovada nesta quinta-feira, 29, pelo Diretório Nacional do PT faz críticas à atuação política do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas não menciona em nenhum momento as denúncias de corrupção contra ele, investigadas pela Operação Lava Jato. O PT também não defendeu a cassação do deputado no Conselho de Ética, como queria parte da bancada, sob o argumento de que não pode fazer prejulgamentos.
“A situação congressual agravou-se pela preponderância, dentro da bancada do PMDB na Câmara, de sua ala mais reacionária, capitaneada pelo deputado Eduardo Cunha”, diz a resolução. “Depois de conquistada a presidência da Casa, o parlamentar rapidamente pactuou com o bloco PSDB-DEM-PPS e assumiu a liderança de uma agenda para contrarreformas, além de flertar com o impeachment presidencial.”
A inclusão desse trecho no documento foi uma estratégia combinada para fazer um aceno à base social do PT, que protestou contra notícias dando conta de um “acordo” com Cunha para salvar o mandato da presidente Dilma Rousseff.
Ao adiar um posicionamento sobre a cassação do deputado no Conselho de Ética, porém, a cúpula do PT só quer ganhar tempo. Cabe a Cunha decidir se aceita ou não pedido de impeachment contra Dilma. O presidente da Câmara é acusado de manter contas secretas na Suíça com dinheiro desviado da Petrobras. Além de omitir as denúncias contra Cunha, o PT enquadrou seus três deputados que integram o Conselho de Ética. Todos terão de seguir a orientação do partido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
(Estadão Conteúdo/ATUAL)

 

 

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Assuntos Amazonas Atual, Crise, dilma, Levy, Lula
Valmir Lima 30 de outubro de 2015
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