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Política.

Para sociólogo, grupos que silenciam favorecem algum candidato

18 de setembro de 2016 Política.
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Para Wilson Nogueira, o governador, ao se calar, está fazendo o jogo do grupo político que representa (Foto: Arquivo pessoal)
Para Wilson Nogueira, o governador José Melo, ao se calar no processo eleitoral, está fazendo o jogo do grupo político que representa (Foto: Arquivo pessoal)

Por Rosiene Carvalho, da Redação

MANAUS – O doutor em processos socioculturais, sociólogo e jornalista Wilson Nogueira afirmou, ao AMAZONAS ATUAL, que a não exposição e não sinalização de movimentos políticos do governador José Melo (Pros) nas definições de candidatura já são uma participação na campanha. Isso porque a posição de poder que Melo ocupa, parado ou em movimento, inevitavelmente vai beneficiar algum candidato, segundo Nogueira.

“O fato de um governador não participar do pleito já é uma participação. Ele deve estar beneficiando algum grupo (…) Se ele não participa é porque existe um acordo em que ninguém sai perdendo. Por que ele não foi julgado até agora? É uma pergunta que eu não sei responder. Mas eu faço essa pergunta. A não participação não significa que ele não esteja participando. Existe algum acordo por trás”, analisou o cientista social.

Embora Melo aparente não liderar o poder do grupo político que ele faz parte, para o sociólogo, o grupo não se desalinhou dentro de seu principal e tradicional foco: se manter no comando da ordenação de despesa das máquinas estadual e municipal.

“Os grupos políticos do Amazonas não mudam, só se rearrumam em torno de negócios. A briga entre eles é para ver quem toma conta do dinheiro, quem é que vai ser o ordenador de despesa. Mas o resto está tudo acertado. A gente não pode se iludir com isso”.

Nogueira afirma que as alianças e divergências políticas não são ditadas pelos ideais diferentes e sim pela conveniência de negócios. Na opinião do sociólogo, quem indica candidaturas em Manaus não é a população e sim os grupos empresariais.

“Se fizermos uma leitura de como se gerou o poder nesses anos, vai parecer que o (prefeito e candidato à reeleição) Arthur Neto sempre esteve do outro lado. Mas ele está do outro lado? Na última eleição brigou com o (senador) Eduardo Braga e, agora, eles estão separados? Não estão. São unidos por negócios. A política para eles é um negócio, conveniência de negócios. Isso dá para perceber se você prestar atenção nessas articulações. Quem articula os candidatos no Amazonas é a população? Não. São os empresários. Eles decidem quem eles vão apoiar e quem eles não devem apoiar. O caso do (candidato e ex-deputado estadual) Marcelo Ramos, por exemplo. Hoje está apoiado por um grupo de poder. Na eleição passada demonstrou chances reais de voto, então, nesta eleição passou a transitar nesse grupo de poder”, afirmou Nogueira.

Arthur Neto venceu a eleição para a Prefeitura de Manaus em 1988 como candidato que representava uma alternativa ao grupo político de Gilberto Mestrinho e o derrotou nas urnas com os votos da população de Manaus. Quatro anos depois, Arthur se aliou a Mestrinho, que havia sido eleito governador do Estado.

Em 2012, Arthur Neto disputou novamente a eleição municipal como alternativa aos grupos políticos no poder, mas recebeu apoio indireto do ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT) na campanha, cujo índice de rejeição não permitia aparições de apoio em público. A adversária de Arthur Virgílio na época, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), indicada pelo grupo do Governo do Estado, se queixou de que nos bastidores o então governador Omar Aziz, na verdade, apoiou o amigo tucano.

Marcelo Ramos recebeu expressiva votação na eleição para o Estado, em 2014, e os votos ajudaram a levar a disputa para o segundo turno, beneficiando o governador José Melo. No primeiro, Eduardo Braga foi mais votado que Melo, que saiu vencedor no segundo turno. Na campanha, Marcelo se apresentou como alternativa ao grupo que se perpetua no poder desde Gilberto Mestrinho. Para o pleito deste ano, rompeu com o PSB e se aliou aos grupos políticos do ex-prefeito Alfredo Nascimento, do ex-governador Omar Aziz e do deputado federal Pauderney Avelino (DEM).

O sociólogo afirmou que a atual estrutura do sistema político no Brasil sufoca qualquer possibilidade de renovação nas lideranças e no comando dos Estados. Para ele, o poder econômico de empresários e de quem ocupa cargos eletivos é que dita dos rincões do Amazonas até a capital quem pode ou não ser candidato.

“O sistema político é fechado na estrutura do poder, inclusive o da oposição. É preciso mudar com uma reforma política que leve em consideração até candidatas avulsas. Do jeito que está, o jogo só favorece o poder econômico. Qual a chance de renovação de uma câmara municipal se os outros candidatos não têm essa possibilidade no sentido de garantir uma representação mais diversa da sociedade? Aí sobra para o poder econômico, que tem dinheiro para a campanha”, afirmou.

Dentro dessa estrutura de poder, para Wilson Nogueira, José Melo cumpre sua função no grupo e no jogo político. “O Melo, na realidade, sempre foi um operador político no grupo. Sempre foi o operador do Braga. O Alfredo era o operador do Amazonino (Mendes) e depois assume o papel de candidato. Vão se formando lideranças e entram para o grupo sabendo de todas as implicações não éticas que eles devem assumir para ser candidato ou não”, disse.

Nogueira afirma que quando há rompimentos no grupo a briga não é política e, sim, uma disputa por quem vai ficar no comando do controle econômico e da máquina. O sociólogo afirma que, por essa lógica, os grupos econômicos rejeitam antigas lideranças quando estas não lhe propiciam o mesmo lucro.

“As pendengas não são políticas. São de controle econômica e da máquina. Onde estão os negócios do Braga, para quem ele vende carros e tratores? Enfim, uma série de negócios que esses políticos têm. Porque o negócio deles não é política é uma coisa completamente diferente. Eles dependem do governo e os maiores negócios são com o governo”, disse.

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Assuntos grupos políticos, José Melo, Negócios
administrador 18 de setembro de 2016
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