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Economia

Pará investe em bioeconomia extrativista para reverter desmatamento

19 de outubro de 2021 Economia
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Cosméticos a partir de matéria=-prima natural é tendência na indústria (Foto: Bio Extratos/YouTube/Reprodução)
Cosméticos a partir de matéria=-prima natural é tendência na indústria (Foto: Bio Extratos/YouTube/Reprodução)
Por Timóteo Lopes, da Folhapress

BELÉM – A professora e agora também empreendedora Kariane Nunes fundou junto com outras quatro amigas, há poucos meses, uma startup de biocosméticos que aposta em negócios verdes na Amazônia.

“Cada mulher tem um cabelo diferente. Então, a gente personaliza a fórmula e traz um pedacinho da floresta, através de inteligência artificial. Nós temos parcerias com um coletivo de mulheres extrativistas da Floresta Nacional do Tapajós. A ideia é trabalhar junto com elas, desenvolvendo os produtos e adquirindo matérias-primas, fazendo inovação e tecnologia dentro da Amazônia”, explica.

Segundo levantamento do Instituto do Homem e do Meio Ambiente (Imazon), o Pará foi o segundo estado da Amazônia Legal que mais desmatou em janeiro de 2021 – o desmatamento total da Amazônia foi de 196 km², a área desmatada só no Pará foi de 30%.

No primeiro dia do Fórum Mundial de Bioeconomia, que acontece em Belém, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), assinou um decreto que cria a Estratégia Estadual de Bioeconomia, com foco no desenvolvimento de municípios paraenses com maior desmatamento na Amazônia.

“Desde 2005, o Pará é o estado que mais perdeu cobertura na floresta. O Pará enfrenta o desafio de gerar oportunidades ao mesmo tempo que garante novas frentes de desenvolvimento sustentável. Nós criamos um pilar dos territórios sustentáveis que são regiões do estado que têm maior incidência de gases do efeito estufa. Os municípios de São Félix do Xingu, Altamira, Itaituba e Novo Progresso são prioritários. Vamos investir uma carteira de mais de R$ 100 milhões”, disse o governador.

O estado vai ser o primeiro a receber um investimento em sistemas agroflorestais de um fundo voltado ao meio ambiente e desenvolvimento sustentável instituído pela Amazon.

“Com essa parceria, a Amazon lança uma oportunidade para os produtos de bioeconomia do Pará serem conhecidos por todo o mundo. Isso demonstra a dimensão de onde nós podemos chegar. Mas é fato que só existe razão para discutir esse novo modelo de negócios se houver envolvimento dos povos locais”, disse Barbalho.

O fundador do Fórum Mundial de Bioeconomia, Jukka Kantola, afirmou que investir na bioeconomia no Pará é uma aposta para o futuro sustentável.

“Estamos aqui tomando passos concretos, num primeiro evento no Brasil e aqui na Amazônia. Temos muitos países presentes nesse fórum. Nós vamos trazer propostas para melhorar a bioeconomia do mundo com a participação de líderes globais e olhando para o futuro”, afirmou.

O Fórum Mundial de Bioeconomia discute caminhos e alternativas para um futuro sustentável. Segundo estimativa do BNDES, a bioeconomia brasileira movimenta cerca de US$ 326 bilhões (R$ 1,77 trilhão) ao ano.

Previsto para participar presencialmente do evento, o vice-presidente da República e presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL), o general Hamilton Mourão, cancelou de última hora a ida ao Fórum.

Em fala transmitida por vídeo, Mourão destacou que “o evento consagra um momento de crescimento verde no Brasil, que ganha visibilidade no cenário mundial”. “A Amazônia não pode continuar a apresentar os menores índices de desenvolvimento humano do país.

O futuro do emprego verde está aqui no Brasil”, defendeu Mourão. O Planalto não informou o motivo do cancelamento da participação presencial do vice-presidente.

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Assuntos bioeconomia, desmatamento, extrativismo, Imazon, Pará
Cleber Oliveira 19 de outubro de 2021
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