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Política

Para 46,5% dos brasileiros, Bolsonaro planejou dar um golpe; 36,8% acham que não, diz Atlas

10 de fevereiro de 2024 Política
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Bolsonaro no Senado
Ex-presidente Jair Bolsonaro na saída do Senado Federal (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
Por Pedro Augusto Figueiredo, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – O documento encontrado pela Polícia Federal no escritório de Jair Bolsonaro no prédio do PL e que previa a declaração de estado de sítio no Brasil após o segundo turno das eleições comprova que o ex-presidente planejou dar um golpe de Estado.

É o que acreditam 46,5% dos entrevistados pelo instituto Atlas Intel em pesquisa realizada entre a quinta-feira (8) e esta sexta-feira (9). Outros 36,8% afirmam que Bolsonaro não planejou o golpe, e 16,6% não souberam responder. Foram 1.615 entrevistas feitas pela internet. A margem de erro é 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança 95%.

Apesar disso, o cenário muda e a população se divide quando a pergunta é direcionada sobre a responsabilização do presidente: 42% acreditam que Bolsonaro deveria ser preso, contra 41% que não. Os indecisos são 17%. A divisão se repete quando a pergunta é se Bolsonaro está sendo perseguido injustamente pelas investigações. Novamente, há empate técnico, já que 42,2% dizem que sim e 40,5%, que não.

Quase metade dos entrevistados, 47,3%, avaliam que o Brasil está sob uma ditadura do Poder Judiciário e a grande parte, 38,2%, consideram que Bolsonaro será preso ainda este ano, enquanto 36,4% declararam não saber e 25,5% que não haverá prisão em 2024 A pergunta não entra no mérito se ele é ou não culpado.

Ao mesmo tempo, 46,9% acreditam que a declaração do estado de sítio, seguida da destituição dos poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) e a convocação de novas eleições após o segundo turno vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria golpe de estado. Neste caso, 32,8% avaliam que essas ações não representam ruptura democrática e 20,3% disseram não saber.

Caso Bolsonaro tivesse ido adiante e declarado estado de sítio, 41,1% disseram que não teriam apoiado a medida, contra 36,3% que concordariam com a atitude do ex-presidente.

O documento encontrado pela PF é um suposto pronunciamento que Bolsonaro iria fazer à nação, em rede nacional, detalhando os motivos e argumentos para a decretação do estado de sítio e uso da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) em uma operação executada pelos militares.

A defesa do ex-presidente afirma que o documento estava no gabinete de Bolsonaro no PL porque ele pediu aos advogados para imprimirem o texto que, originalmente, havia sido achado no celular do ex-ajudante de ordens, Mauro Cid, após busca e apreensão no ano passado.

“Trata-se, portanto, de documento que já integrava a investigação há tempos e cujo acesso foi dado ao ex-presidente por seu advogado, vez que, repita-se desconhecia, até então, sua existência e conteúdo”, disse a defesa do ex-presidente em nota à imprensa.

A maior parcela dos entrevistados, 39,1% consideram que o ex-presidente teria conseguido se manter no poder e seria o atual presidente do Brasil caso tivesse declarado o estado de sítio conforme previsto no documento. Já 31,9% não souberam avaliar e 29% disseram que a tentativa falharia.

Por fim, a maioria (51,1%) diz que não é apoiadora ou simpatizante de Bolsonaro. No sentido oposto, 39,6% se declaram bolsonaristas atualmente.

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Assuntos Atlas, Bolsonaro, brasileiros, brasilia, golpe de Estado, preso
Murilo Rodrigues 10 de fevereiro de 2024
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