
Por Gabriel Hirabahasi, Sofia Aguiar e Lavínia Kaucz, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o combate à dengue deve ser feito a partir de um trabalho conjunto entre o governo federal, os Estados e os municípios. Defendeu que o enfrentamento à Covid-19 sirva de aprendizado para estabelecer uma política de combate à dengue e que haja uma “política permanente de Estado para enfrentarmos novas pandemias”.
“A pandemia de covid-19, a um custo muito alto, nos apontou caminhos para enfrentar possíveis surtos e endemias. Só se enfrenta o problema de saúde pública com ciência. Isso significa ter profissionais mobilizados e bem orientados, estabelecer mensagem correta para mobilização das famílias e comunidades. Unir esforços em vez alimentar conflitos políticos entre União, Estados e municípios”, declarou, em seu discurso de posse nesta segunda-feira (10).
“Essa é a nossa diretriz nas ações contra a dengue. Porque o mosquito não é do prefeito, do governador ou do presidente. Ele está dentro das casas das pessoas e dos locais de trabalho. Somente seremos bem sucedidos em reduzir os focos do mosquito, a transmissão da doença e os casos graves e óbitos se trabalharmos juntos”, completou o novo ministro da Saúde.
O novo ministro da Saúde disse que pretende recorrer às universidades e aos centros de formação de especialistas e que pretende fortalecer a atenção primária à saúde. Padilha afirmou que seu único inimigo à frente do Ministério da Saúde será o “negacionismo” e que pretende “impulsionar um amplo movimento nacional pela vacinação”.
Padilha defendeu, ainda, a revisão da tabela SUS, modelo de remuneração que complementa os pagamentos dos hospitais pelo Sistema Único de saúde. Disse que pretende estabelecer um novo modelo que sinalize aos Estados, municípios e à rede privada que o SUS pagará mais pelos atendimentos.
“Sei que a tabela SUS, da forma como remunera os serviços hoje, não acabará com a peregrinação do nosso povo por atendimento médico especialista. Teremos a coragem e ousadia necessárias para superar o modelo da tabela SUS, enterrá-lo de uma vez por todas e criar um novo modelo que garanta acesso à nossa população. Começaremos essa superação pelos procedimentos que mais geram tempo de espera, como as ofertas de cuidado integral propostas pela equipe da ministra Nísia”, declarou.
“Queremos um novo modelo de remuneração que sinalize aos Estados, municípios e aos serviços privados que pagaremos mais e melhor para o atendimento especializado que aconteça no tempo correto. Uma tabela que poupe o tempo e reduza o tempo de espera”, afirmou.
Padilha tomou posse nesta segunda-feira como novo ministro da Saúde. Ele, que já ocupou a pasta de 2011 a 2014, substitui Nísia Trindade. A Secretaria de Relações Institucionais, que era ocupada por Padilha, será comandada, a partir de agora, por Gleisi Hoffmann, que também tomou posse nesta segunda-feira. A cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, estava lotada com autoridades e convidados presentes.
Filas na saúde pública
Alexandre Padilha disse que seu foco à frente da pasta será trabalhar pela redução do tempo de espera para quem precisa de atendimento especializado no Sistema Único de Saúde. “Chego ao ministério da saúde com uma obsessão: reduzir o tempo de espera para quem precisa de atendimento especializado no nosso país. Todos os dias, vou trabalhar para buscar maior acesso e menor tempo de espera para quem precisa”, afirmou.
O ministro declarou que volta ao ministério “ainda mais cheio de energia do que primeira vez”. Também disse que “não há solução mágica para reduzir tempo de espera”.
Padilha agradeceu a Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde, pelo seu trabalho na pasta. A agora ex-ministra participou da cerimônia e agradeceu ao governo em discurso feito antes de Padilha. “Sei do cenário de negação da ciência que Nísia encontrou ao assumir o Ministério da Saúde em 2023. Como colega de governo pude ver de perto o trabalho de perto da Nísia e de sua equipe para reconstruir políticas que o Brasil tomava como garantidas, mas que foram alvos do ódio deliberado do governo anterior”, declarou.
O novo ministro afirmou que terá “lealdade e dedicação integral” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que “nada deixa mais feliz um médico do que ser pela segunda vez ministro da Saúde”. “Presidente, pode contar mais uma vez com a lealdade e dedicação integral até o último segundo que me honrar com essa missão de ser ministro da Saúde do nosso País”, afirmou o ministro.
