
MANAUS – Ao criar guerras ideológicas contra a esquerda – entendida como sinônimo de PT e Lula –, o governo Bolsonaro transformou a educação em uma trincheira da qual se atira para todos os lados sem acertar em nenhum alvo específico e o MEC num bunker que cospe fogo contra o Judiciário e Legislativo sem atacar a verdadeira inépcia do setor: a falta de políticas públicas que modernize a educação pública incorporando as novas tecnologias da informação com novos métodos de ensino que aprofunde o debate em sala de aula e mude o padrão vigente do professor como única fonte de conhecimento.
Diante do inimigo imaginário do ‘comunismo doutrinador’ de professores, e estes como ‘máquinas de lavagem cerebral’ de crianças e adolescentes, o MEC elegeu educadores como inimigos públicos e os maconheiros dos campus universitários como ameaças ao pensamento livre.
Desse angu ideológico surgiram aberrações como a ‘escola sem partido’, o conteúdo chamado de ‘ideologia de gênero’ e a tentativa de interferência nas questões do Enem.
Se a intenção de criar um novo ensino imune à doutrinação política da esquerda é a solução salvadora da educação pública, por que o MEC ainda não implantou nenhuma delas e nenhum ministro ficou no cargo para desenvolver a nova metodologia da direita? Será que a doutrina de direita se mostrou fraca para superar a de esquerda? Ou será que educação se faz com livros de qualquer abordagem política, pois o que importa é entender o mundo e não seguir uma corrente político-ideológica?
O erro está em tentar substituir uma ideologia por outra impondo uma corrente de pensamento político e ignorando a dinâmica e a diversidade da educação.
Obrigar crianças e adolescentes a entender que família é a união entre um homem e uma mulher em plena era do acesso ilimitado às novas configurações sociais tem o mesmo efeito que atribuir o mal à esquerda e a cura à direita.
O Brasil já viveu sob governos de ambas as ideologias e ainda não se tornou um país melhor. Quem sabe no futuro.

