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Variedades

Oscar bate recordes e busca por diversidade passa a render frutos

15 de março de 2021 Variedades
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Moonlight Oscar (Foto: YouTube/Reprodução)
Oscar traz mais indicações de mulheres e pessoas negras nesta edição (Foto: YouTube/Reprodução)
Por Leonardo Sanchez, da Folhapress

SÃO PAULO – O Oscar deste ano está diferente. É fácil pôr a culpa na pandemia –e de fato ela será a grande responsável por minar o glamour da festa, que acontece no dia 25 de abril, provavelmente de forma híbrida–, mas as mudanças desta 93ª edição ficaram evidentes com a divulgação dos indicados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, nesta segunda.

Parece que a associação que entrega o homenzinho dourado realmente caminha para uma mudança, depois de ampliar o seu quadro de votantes e adotar medidas em prol da diversidade, com alguns recordes importantes quebrados com o anúncio. O primeiro deles não chega a ser uma surpresa, já que a presença de mais de uma mulher na categoria de direção já vinha sendo ventilada há meses. Chloé Zhao, de “Nomadland”, e Emerald Fennell, de “Bela Vingança”, estão na disputa, que pela primeira vez tem mais de uma única diretora.

Ao longo de toda a história da premiação, só cinco mulheres foram sido contempladas, cada uma em uma edição diferente. Muitos esperavam que uma terceira se somaria a elas –Regina King, de “Uma Noite em Miami”–, mas a lista ficou completa com Lee Isaac Chung, de “Minari”, David Fincher, de “Mank”, e Thomas Vinterberg.

O quinteto ainda solidifica a forte presença de cineastas estrangeiros na categoria –há quatro anos um americano não sai vitorioso dela. Zhao, a favorita, é chinesa, enquanto Vinterberg é dinamarquês e foi uma boa e inesperada aparição na corrida, graças a “Druk – Mais uma Rodada”, o provável vencedor de melhor filme internacional. Chung nasceu nos Estados Unidos, mas é filho de coreanos.

O outro recorde do anúncio de hoje veio com as categorias de atuação. Cinco anos depois da campanha #OscarsSoWhite, que denunciou a ausência de atores não brancos na cerimônia de 2016, a Academia escolheu nove artistas de etnias sub-representadas para ocuparem suas 20 vagas dessa seção. Steven Yeun, de “Minari”, se tornou o terceiro indicado a melhor ator de ascendência asiática, enquanto Riz Ahmed, de “O Som do Silêncio”, o quarto, e também o primeiro muçulmano na categoria.

Eles se juntam, na corrida, a Chadwick Boseman, que recebeu uma indicação póstuma por “A Voz Suprema do Blues”, fazendo dos brancos, pela primeira vez, a minoria nela. Os veteranos e já oscarizados Gary Oldman, de “Mank”, e Anthony Hopkins, de “Meu Pai”, completam o quinteto. Em ator coadjuvante, há três negros concorrendo –Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield, por “Judas e o Messias Negro”, e Leslie Odom Jr., por “Uma Noite em Miami”–, enquanto a diversidade entre as atrizes fica por conta de Andra Day, de “The United States vs. Billie Holiday”, e Viola Davis, por “A Voz Suprema do Blues”, em principal, e a coreana Youn Yuh-jung, de “Minari”, em coadjuvante.

Entre os filmes que concorrem à estatueta mais cobiçada do Oscar, “Judas e o Messias Negro” é o primeiro na história a ser produzido só por negros. Ele se junta a outros sete, “Minari”, “Bela Vingança”, “O Som do Silêncio”, “Meu Pai”, “Mank”, “Os 7 de Chicago” e “Nomadland”, que acumula mais prêmios nesta temporada.

“Mank”, aliás, lidera as indicações, aparecendo em dez categorias. Produzido pela Netflix, ele foi esnobado na cerimônia do Globo de Ouro e vinha perdendo parte do apelo nas últimas semanas. Agora, reaparece como forte candidato e pode garantir ao gigante do streaming alguns prêmios importantes. Da mesma forma que no ano passado, a Netflix tem duas produções na disputa de melhor filme, “Mank” e “Os 7 de Chicago”.

Até agora, a companhia não conseguiu desbancar estúdios tradicionais e arrematar o principal prêmio da cerimônia, gerando grande expectativa para a festa de abril. Ao todo, a plataforma recebeu 35 indicações nesta edição, à frente de qualquer outro estúdio. Vale lembrar, no entanto, que as 24 menções no ano passado resultaram em só duas vitórias.

Por falar da velha Hollywood, “Mank” pode ser um ponto de virada para a Netflix neste ano, já que a Academia adora laurear produções autorreferentes, que abordam a própria indústria cinematográfica. A trama de David Fincher ainda tem a seu favor o fato de se debruçar sobre os bastidores de “Cidadão Kane”, o maior clássico do cinema americano.

Outra plataforma de streaming que deu as caras em categorias importantes, incluindo na de melhor filme com “O Som do Silêncio”, foi o Amazon Prime Video, que ainda tem “Uma Noite em Miami” e “Borat: Fita de Cinema Seguinte” sob sua alçada. O primeiro da tríade recebeu só uma indicação ao Globo de Ouro, em ator, e agora surpreende por garantir seis nomeações ao Oscar. Depois de “Mank”, foi o filme mais lembrado, ao lado de “Nomadland”, “Minari”, “O Som do Silêncio”, “Meu Pai” e “Judas e o Messias Negro”.

Boa parte das expectativas brasileiras em relação aos prêmios da Academia já havia sido frustrada no mês passado, quando a escolha do Brasil para tentar uma vaga em melhor filme internacional, o documentário “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou”, de Bárbara Paz, ficou de fora da lista de pré-indicados.

Mas havia quem apostasse na presença de “Bacurau” na lista recém-divulgada. Mesmo não sendo elegível para a corrida de filmes estrangeiros, o longa, que estreou nos Estados Unidos só no ano passado, podia aparecer entre os esperançosos por outros prêmios, principalmente os técnicos. Não conseguiu. A diversidade que aos poucos –e ainda de forma inconstante e muito tímida em várias categorias– toma conta do Oscar, na verdade, parece ter esbarrado numa barreira neste ano.

Os latinos ficaram praticamente de fora da festa, na década seguinte à que viu os mexicanos Alfonso Cuarón, Alejandro González Iñárritu e Guillermo del Toro serem eleitos melhores diretores. Nem mesmo um dos fortes candidatos a filme internacional, o guatemalteco “La Llorona”, confirmou as expectativas de especialistas e acabou barrado da lista de indicados. Ele foi preterido por produções de Dinamarca, Bósnia e Herzegovina, China, Tunísia e Romênia.

O curta “The Human Voice”, do espanhol Pedro Almodóvar, e Sophia Loren, opção para a disputa de melhor atriz, também foram ignorados. O chileno “The Mole Agent”, por outro lado, compete em documentário. Tramas sobre diversidade sexual também não foram convidadas para a noite de gala. Havia expectativa que o documentário “Welcome to Chechnya”, sobre a perseguição a homossexuais na Rússia, chegasse à corrida de documentário e efeitos especiais, o que não aconteceu.

Já “Segredos Mágicos”, animação da Pixar sobre um casal gay, era apontado como presença quase certa entre os curtas, e até o execrado pela crítica “A Festa de Formatura” tinha chances em figurino, design de produção e cabelo e maquiagem. Nenhum deles apareceu na lista.

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Assuntos cinema, diversidade, diversidade de gêneros, Oscar 2021, Premiação
Redação 15 de março de 2021
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