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Os maus caminhos no Amazonas

16 de abril de 2017 Sem categoria
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A situação no Amazonas é explosiva. Com a Lava-Jato e operações dela derivadas, que já chegaram ao Estado, pouco ou quase nada dos nomes de maior expressão da política local ficarão de pé. Os fatos por si só são reveladores e exibirão o mar de lama que transformou figuras de origem modestíssima em senhores de grande fortuna pessoal, antes sem condições mínimas de manter sequer o próprio sustento pessoal.

Além da Maus Caminhos, operação realizada pela Polícia Federal, que apurou um rombo grandioso no sistema estadual de saúde, há três obras que merecem observação mais acurada, pelo volume de recursos nelas empregados. Cuido da ponte sobre o Rio Negro, da Arena da Amazônia e do Prosamim – Programa de Saneamento dos Igarapés de Manaus.

Com forte margem de segurança, estima-se que aqui tivemos a ponte mais cara do mundo, com cifras que chegaram perto de hum bilhão e quinhentos milhões de reais. Uma pequena-grande ponte, pequena no tamanho e grande no volume de recursos consumidos em sua construção. Independente dos graves equívocos do projeto, que liga nada a coisa nenhuma, pois sem qualquer justificativa ou sentido econômico, teve-se uma agressão de grandes proporções ao erário. O mesmo aconteceu com o Prosamim, que simplesmente aterrou vários igarapés da cidade de Manaus, quando deveria tê-los saneado, quem sabe e no mínimo em homenagem ao seu próprio nome, restaurando-se a bela paisagem da urbe. Ainda em curso, a obra insiste na insanidade e engole somas que ultrapassam a casa dos dois bilhões de reais, com provimentos financeiros obtidos via empréstimos em dólares junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, a serem pagos pelo escorchado contribuinte amazonense. Chega-se então à famosa Arena da Amazônia, projeto que não me cansei de criticar em vários artigos publicados na imprensa, como se falasse para surdos, porquanto tocaram a iniciativa, afrontando outras urgências e prioridades na cidade e no Estado. Com gastos que ficaram em torno de um bilhão de reais, ergueram o maior elefante branco do país, ainda bem mais grave, sobre os escombros de um patrimônio histórico e arquitetural da cidade – o Estádio Vivaldo Lima, de autoria do celebrado Severiano Mário Porto, prêmio nacional de arquitetura.

Realizadas durante os governos dos atuais senadores Eduardo Braga e Omar Aziz, as obras estão como nunca presentes em Manaus, imensas, ostentatórias, dominando a fotografia sob qualquer ângulo urbano, como testemunhas da incúria e da irresponsabilidade na gestão do gasto público. Servem de estuário suspeito para o grande rio da corrupção no Estado, com investigações que certamente demonstrarão as verdadeiras dimensões do assalto perpetrado contra as finanças públicas e aos interesses da população pobre ou miserável, vítima maior de toda sorte de infortúnios.

Como agentes, ativos ou passivos, envolvidos ou implicados nos fantásticos processos de corrupção, surgem nomes de grandes empresas e de megaempresários. Na área, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht, todas no topo da pirâmide e com delações premiadas acordadas e correntes. Mais embaixo, a Construtora Etam, embora com importância também significativa no esquema, na condição de subcontratada ou subempreiteira dos projetos, numa sequência decrescente que abraça dezenas de pequenas empresas satélites ou laranjas. Nesse verdadeiro cipoal de ilicitudes e suspeição já aparecem os nomes de José Lopes e Eládio Cameli, este último riquíssimo, proprietário da Etam, enquanto aqueloutro, com profunda intimidade e incursões sobre a cúpula do poder no Estado, também acumulou fortuna de elevada monta e extensão.

Não tenho a menor dúvida de que não restará a Cameli e a Lopes outra opção, a não ser a de ceder à inexorável delação, como o fizeram outros empresários, sob pena de amargarem a prisão pela vida afora, considerando a idade de ambos. Se Marcelo Odebrecht fez, que chegou a dizer que castigava o filho que apontasse um dedo a outro, não há razão para que os demais não o façam, em circunstâncias semelhantes. É o socorro extremo ao estado de necessidade: ou mata ou morre.

Bem, nos maus caminhos do Amazonas, coroando o ultraje, não poderia deixar de existir a Maus Caminhos, sob a liderança do médico Mohamad Moustafa, um esculápio esquisito, com ares de bobalhão ou de “mamãe eu já vou indo”. Ainda assim, com cara de pascácio, montou um enorme e violento ataque aos cofres da Secretaria de Saúde do Amazonas, afanando milhões e milhões de reais que poderiam e deveriam ser aplicados no sistema de assistência aos desvalidos do Estado. Uma predação sem nenhum limite e genocida, traduzida na compra de imóveis, carros e lanchas de luxo e de altíssimo valor, com ações que tiveram a participação criminosa de famílias assentadas no vértice do poder. Um absurdo que culminaria com a apreensão de expressiva quantidade de drogas em poder do médico, ditas para consumo próprio, mas nunca se sabe ao certo.

A propósito, convenhamos, não há remédio, surrupiado ou não do SUS – Sistema Único de Saúde, que cure a cleptocracia que se instalou no Estado. O absurdo dos absurdos, pobre Amazonas.

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Assuntos Amazonas, Eduardo Braga, Estado do Amazonas, Lava Jato, Maus Caminhos, Omar Aziz, políticos, Vanessa Grazziotin
Valmir Lima 16 de abril de 2017
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