
Por Roberto Caminha Filho*
Eu vi, em Paris, o Tomasz, da Polônia, fazer os primeiros ataques, vindo voando do fundo da quadra. A Polônia era o time a ser batido. Faltou estudo e investimento no voleibol polonês e aquele timaço foi batido. Achamos que o Solidariedade ajudou na queda.
Manaus viu o timaço feminino de voleibol do Japão, e era o time a ser batido. Os japoneses não aumentaram de tamanho, como deveriam, e perdem todas. Em Manaus, nos deleitávamos em ver as japonesas saírem de quadra e devorarem cachos de bananas: maçãs, nanicas e pratas. No começo era para repor o potássio, que elas perdiam por causa do calor. Quando vimos os mangarás serem substituídos, concluímos que era gula, pois as que entravam e saiam, passavam logo pelas bananas.
Eu estava nas Olimpíadas de Seul e vi a final de voleibol, de dentro da quadra, graças ao Passport Olímpico presenteado pelo Havelange. Rússia e Estados Unidos gravaram no meu minúsculo cérebro, um espetáculo dos sonhos. Os americanos, capitaneados por Karch Kiraly, arrasaram. A Rússia era o time a ser batido.
Os japoneses e os chineses, no tênis de mesa, já estão sendo acossados por suecos e americanos. Os jogos e segredos saem das mãos dos craques por internet. Nada se esconde dos olhares estudiosos e científicos.
O Brasil, de uns poucos estudiosos, vence no vôlei, na natação, na canoagem, no salto com varas e no salto triplo.
Só os estudiosos e científicos vencem.
Como é que venceremos no futebol com essa coleção de “professores” que mimamos?
Na Copa da França não aprendemos nada daquela derrota. O genial centroavante francês, Thierry Henry, deu a aula e poucos aprenderam, ou nenhum. Ele disse:
“Enquanto estudamos em salas de aulas, o dia inteiro, os brasileiros jogam futebol desde bebês. Eles estudam a metade do tempo, e nas merendas, jogam futebol. Eu comecei a jogar futebol aos quinze anos, convidado por uns primos, e aprendi certo. Eles não estudam e aprendem tudo errado. É claro que aparecem os craques, mas muitos se perdem.”
O goleador francês deveria dar uma chegada até a CBF e enfiar isso na cabeça dos dirigentes. Eu vi esse novo presidente falando e gostei muito do cidadão. Os anteriores estão guardados pelas polícias do mundo.
Os nossos craques são craques para o mundo inteiro e são dirigidos por técnicos dos valores de Pepe Guardiola e José Mourinho. Eles ganham nos melhores campeonatos do mundo e quando se juntam na Seleção Canarinho, fazem vexames diante do Chile, Bolívia e Venezuela. Ainda não deu para ver que no banco da nossa equipe, já não cabe os “professores” que não tiveram tempo para estudar. Nós conhecemos os nossos jogadores e professores e sabemos que eles não têm o mesmo tempo de estudo que os outros alunos. Os treinadores são, na sua grande maioria, jogadores que saíram do campo para o túnel, sem passarem pelos bancos de escolas.
Qual a seleção, desse mundo de meu Deus, que pode sonhar em se livrar de um Neymar e de um Messi?
A argentina teve o Loco Bielsa e o seu aluno Sampaoli. Dois estudiosos do futebol e fazem bonito pelo mundo.
O que o Brasil tem para mostrar na Europa? Nada, absolutamente nada. Os nossos treinadores iam para os países árabes e para o oriente. Hoje, só os jogadores partem como juvenis e voltam como veteranos e ainda recebem altos salários.
Os nossos centroavantes não conseguem entrar nas áreas adversárias, driblando, como faziam Leivinha, Tostão, Pelé, Rivelino, Reinaldo, Ronalducho e uns outros poucos. Hoje, nenhum sabe entrar na área e delas fogem. Na Copa da África do Sul, o genial Cruyff foi chamado para uma cabine e ver o jogo do Brasil, o craque agradeceu o convite e disse que o Brasil não mostraria nada de novo e que decidiram imitar o errado futebol europeu que já desapareceu.
A nossa maior artilheira, em Copas do Mundo, de todos os tempos é a Marta, e eu já penso em sugerir seu nome para a seleção do Tite.
Vamos torcer pelo Brasil na certeza que esse timinho não serve para a Copa do Catar.
*Roberto Caminha Filho, economista, é um nacionalino louco por futebol.
