Ônibus aquáticos viram ‘cavalo marinho branco’ no litoral de São Paulo

Por Mariana Zylberkan, da Folhapress

ILHABELA-SP – Três ônibus aquáticos comprados pela Prefeitura de Ilhabela (SP) para fazer o transporte de turistas pelas praias do arquipélago do litoral norte de São Paulo estão sem uso há pelo menos três anos. As embarcações estão armazenadas sem manutenção em uma marina em Caraguatatuba, também no litoral norte paulista. 

As embarcações foram projetadas para integrar o sistema público de transporte marítimo na ilha, do qual faz parte a balsa que faz a travessia a São Sebastião. A primeira embarcação chegou à cidade em março de 2015. Elas foram construídas sob medida e pagas com recursos dos royalties do petróleo. Comportam 60 pessoas sentadas e têm banheiro adaptado, ar condicionado, TV e som ambiente. Podem acomodar até quatro pranchas de surfe e seis bicicletas.

A opção de transporte é esperada por representar uma alternativa às ocasiões em que condições climáticas adversas interrompem o funcionamento das balsas. 

Com custo estimado em R$ 4,5 milhões, os três ônibus aquáticos não atendem os requisitos de acessibilidade e, por isso, não podem ser usados, de acordo com o prefeito de Ilhabela, Márcio Tenório (PMDB). “Os aquabus são um dos vários elefantes brancos que herdamos da antiga gestão”, diz o prefeito, a respeito da administração anterior de Toninho Colucci (PPS), prefeito por dois mandatos consecutivos. 

A gestão anterior foi barrada quatro vezes pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) na tentativa de abrir licitação para adaptar os oito píeres da ilha (Ponta Azeda, Engenho D’água, Perequê, Balsa, Portinho, Feiticeira e Praia Grande) e, assim, viabilizar o uso das embarcações. O custo total das adaptações está orçado em cerca de R$ 1,3 milhão.

Na última tentativa, no início de 2016, o órgão chegou a prever uma multa à prefeitura por propor a licitação sem alterar o teor do edital, conforme recomendado nas análises anteriores.

De acordo com o secretário de Turismo de Ilhabela, Ricardo Fazzini, a ideia é integrar os aquabus com os ônibus turísticos que vão circular pela ilha e também com o sistema de compartilhamento de bicicletas.
Para isso, vai ser cobrada uma única tarifa a cada 48 horas e, durante esse período, o acesso aos veículos e embarcações será ilimitado. “Tudo deve estar em funcionamento a partir de junho de 2019”, diz o secretário. 

Para viabilizar o funcionamento dos ônibus aquáticos, a administração deve abrir licitação de R$ 900 mil para contratar a empresa que irá fazer a manutenção das embarcações e adaptá-las para servir à estrutura portuária turística já existente.

A prefeitura também gasta R$ 77,9 mil a cada três meses para manter os aquabus na marina. Dois deles estão atracados em um canal dentro da marina. “Um está com o eixo torto porque caiu ao ser elevado em uma carreta de hangar. Os cascos também estão cheios de cracas”, disse o prefeito.

A mobilidade em Ilhabela se transforma em um problema durante a alta temporada, quando a população de cerca de 34 mil habitantes quase dobra com a chegada dos turistas e pessoas atraídas pela movimentação no arquipélago.

As praias são distantes umas das outras o que estimula o uso do transporte privado. Por causa das longas filas da balsa para fazer a travessia a partir de São Sebastião, há turistas que deixam o carro no continente e atravessam como pedestres para o arquipélago.  “A ideia com esse novo sistema é convencer o veranista a deixar o carro na pousada durante a estadia”, diz o secretário Ricardo.  Há também projeto para a construção de um estacionamento público em São Sebastião para incentivar os turistas a não embarcar com seus veículos na balsa rumo a Ilhabela.

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