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Política

Omar Aziz cogita questionar PF sobre Covaxin, ‘denúncia mais grave recebida pela CPI’

23 de junho de 2021 Política
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Omar Aziz diz que é preciso muiuto cuidado com nova denúncia (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Omar Aziz diz que é preciso muiuto cuidado com nova denúncia (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Por Renato Machado de Julia Chaib, da Folhapress

BRASÍLIA – Presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou nesta quarta-feira (23) que as denúncias de pressão para a liberação da importação da vacina Covaxin e a possibilidade de que o presidente Jair Bolsonaro tinha conhecimento da situação talvez seja a denúncia mais grave recebida pela comissão.

Omar Aziz também disse que é “preocupante”, se o chefe do Executivo tomou conhecimento da denúncia e não pediu a abertura de investigação. O presidente da CPI disse que vai questionar se a PF abriu investigação.

O caso foi revelado na Folha de S.Paulo na sexta-feira, com a divulgação do teor do depoimento do servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda. Ele disse em oitiva no Ministério Público Federal que recebeu uma pressão “atípica” para agilizar a liberação da vacina indiana, desenvolvida pelo laboratório Bharat Biotech.

Luís Ricardo Miranda também afirmou que seus superiores também pediram para que ele obtivesse a “exceção da exceção” junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a liberação da imunização.

A Covaxin entrou no radar da CPI, que suspeita de favorecimento do governo federal para a imunização e corrupção. A vacina é a mais cara de todas as adquiridas pelo Brasil, ao custo de R$ 80 a dose.

Os senadores também apontam que o contrato de R$ 1,6 bilhão foi fechado em tempo recorde, principalmente se comparado com a lentidão na negociação com a Pfizer e com o Instituto Butantan.

Em entrevista à Folha, o irmão do servidor, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), afirmou que Jair Bolsonaro foi alertado e recebeu documentos sobre suspeitas na compra da Covaxin.

Omar Aziz afirmou que a comissão precisa tomar muito cuidado durante a apuração. Disse aos jornalistas que ouviu uma “versão” dos fatos, por via do deputado Luís Miranda, e que a comissão agora vai aos fatos. No entanto, disse que a situação representa talvez a informação mais impactante que a comissão teve contato desde o início das atividades.

“Temos que ter muito cuidado porque talvez tenha sido a denúncia mais grave que a CPI recebeu. Por isso que eu preciso ter muita cautela, muita paciência e não passar a carroça na frente dos bois”, afirmou o presidente da comissão.

O presidente da CPI também afirmou que a comissão pretende apurar a fala do deputado Luís Miranda, de que pode ter havido pagamentos de propina nas negociações do contrato para a compra da Covaxin, negociado pelo Ministério com uma empresa intermediária, a brasileira Precisa Medicamentos. A comissão já investiga um possível favorecimento à empresa.

“Se tudo aquilo que ele (deputado Luis Miranda) disse for verdade ou parte for verdade, são gravíssimas as acusações, inclusive sobre a questão do pixuleco. O Pazuello, no dia que estava saindo, ele fala por que foi demitido. Ele disse que ele foi demitido, que o Pazuello foi demitido porque não aceitava corrupção”, disse o senador.

Aziz também disse que solicitou ao delegado da Polícia Federal cedido para a comissão que solicite aos diretores da corporação informações sobre eventual abertura de inquérito para apurar as denúncias que teriam sido levadas ao presidente.

“Eu pedi uma informação do diretor-geral da Polícia Federal se houve o pedido para investigar a compra da Covaxin. Se o presidente ligou para o diretor-geral da Polícia Federal e disse ‘ó, tem uma denúncia aqui feita pelo deputado Luís Miranda e pelo irmão dele e a gente quer saber se realmente tocaram essa investigação”, afirmou. “É uma coisa natural. O presidente, se foi comunicado e tomou providência, ótimo. Se não tomou providências, é preocupante”, completou.

O servidor Luís Ricardo Miranda e seu irmão, o deputado Luís Miranda, vão prestar depoimento na CPI da Covid na tarde desta sexta-feira (25). Os requerimentos de convite foram aprovados em sessão nesta quarta-feira. Na mesma sessão, os senadores também aprovaram a convocação do tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador de Logística de Insumos Estratégicos em Saúde e homem de confiança do ex-ministro Eduardo Pazuello.

No depoimento ao MPF, divulgado pela Folha, o servidor apontou que Lial Marinho era um dos focos de pressão para liberar a importação da Covaxin.

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Assuntos CPI da Pandemia, Omar Aziz, Vacina Covaxin
Cleber Oliveira 23 de junho de 2021
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