
Por Felipe Campinas, da Redação
MANAUS – Anunciado pelo papa Francisco, neste domingo (29), como um dos novos cardeais da Igreja Católica, o arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner, afirmou que após ser nomeado para o cargo permanecerá na capital amazonense. Ele viajará a Roma quando for convocado. “O título não muda nada. Só um pouquinho mais de trabalho”, disse Steiner.
O nome do arcebispo foi lido pelo papa a milhares de fiéis católicos que estavam na Praça de São Pedro, no Vaticano. Para Steiner, foi um surpresa: “Eu fui surpreendido com a nomeação. O papa atual não costuma comunicar nada antes. Ele chega na janela, na Praça de São Pedro, e apresenta os nomes”, afirmou o arcebispo a jornalistas, nesta segunda-feira (30).
“Eu, primeiro, fiquei meio incrédulo porque… Existe muita conversa sempre, mas é uma outra coisa quando chega o momento da nomeação, e não tinha nenhum comunicado oficial. Eu creio que é uma alegria para todos nós da Amazônia. A nomeação minha não diz respeito apenas a minha pessoa. Eu não entendo assim”, completou Steiner.
Além de votar na eleição de um novo papa, caso haja renúncia ou falecimento do atual pontífice, Steiner integrará congregações importantes da Igreja Católica. Tratam-se dos “dicastérios” (que vem do grego e significa ‘juiz’), nome dado para os departamentos do governo da igreja que compõem a Cúria Romana.
Após a nomeação para o cargo, marcada para o dia 27 de agosto, Steiner disse que permanecerá realizando as atividades em Manaus e viajará algumas vezes a Roma. “Terei que participar de diversas reuniões em Roma. O papa deverá me nomear para participar de algumas das congregações. Isso significa também algumas viagens a mais”, disse o religioso.
“Os outros cardeais que permanecem nas suas dioceses, como é o meu caso, o caso de dom Sérgio [da Rocha], de Salvador (BA); dom Odilo [Scher], de São Paulo; dom Orani [Tempesta], do Rio de Janeiro, nós participaremos de determinadas congregações. Essas congregações têm o que se chama de plenárias, reuniões periódicas que pensam as ações dos dicastérios”, disse Steiner.
“Por exemplo, tem as reuniões para fazer as avaliações dos novos bispos, das transferências. Mas tem o dicastério que cuida das questões sociais, como a igreja ser mais atuante, mais caritativa, como pensar a economia do mundo melhor. Para isso existe um grupo de cardeais que fazem parte disso”, afirmou o arcebispo.
Para Steiner, a escolha de um bispo da Amazônia mostra que Francisco “tem carinho especial” pela região. “Na pandemia, ele teve a delicadeza de ligar para nós. E agora, com essa nomeação, mostra mais uma vez o quanto ele está próximo das nossas igrejas e da nossa região. É por isso que nós nos alegramos”, disse o arcebispo.
Steiner também citou o Sínodo da Amazônia, promovido em 2019. “Duas pessoas me disseram que a nomeação é fruto do sínodo. O papa, naquela ocasião, convocou um sínodo. Nós, bispos do Brasil, havíamos pedido. Eu, inclusive, entreguei pessoalmente o pedido. Houve o sínodo. E vejam que o papa participou ativamente”, disse.
“Talvez seja expressão do sínodo que nós celebramos. Talvez mais. Talvez o papa esteja pedindo das nossas igrejas que realmente assumam o sínodo, especialmente, o texto ‘Querida Amazônia’ e o documento final. Eu sinto que os bispos da Amazônia estão muito dispostos a isso”, completou o arcebispo de Manaus.
