
Por Gabriel Hirabahasi e Geovani Bucci, do Estadão Conteúdo
CATALÃO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou na cerimônia de inauguração de um hospital universitário em Catalão, no interior de Goiás, com um cartaz escrito “O Pix é do Brasil”.
Foi o segundo recado do presidente aos Estados Unidos após o governo norte-americano ter proposto uma nova tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros. O novo tarifaço vem de uma investigação aberta pelo governo de Donald Trump que tem como um dos alvos o Pix.
Mais cedo, na primeira agenda em Catalão, Lula abriu seu discurso com duras críticas à família Bolsonaro e com recados ao governo norte-americano por causa da nova tarifa imposta ao Brasil. “Os filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São traidores”, afirmou.
Lula enfatizou que Flávio tentou negar apoio à nova taxação contra o Brasil, mas relembrou declarações públicas feitas por ele e sua família após o tarifaço de 2025. O presidente citou manifestações dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em agradecimento a Donald Trump após o anúncio das sanções e disse que outro filho – o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro – também teria elogiado o presidente norte-americano e defendido a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
Segundo o petista, as declarações evidenciam apoio da família Bolsonaro às medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o país. “Foi lá (pedir) para o Trump: ‘Trump, dá uma porrada no Lula. Dá no Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições. Trump, não deixa. Prejudica o Lula’. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula. Ele vai prejudicar é o povo brasileiro”, afirmou o presidente.
A declaração foi dada durante cerimônia de inauguração da nova sede do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), obra incluída no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A decisão dos EUA detalha investigação sobre temas como pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. As medidas devem entrar em vigor até 15 de julho, após audiência marcada para 6 de julho.
Lula relembrou ainda seu encontro com Trump em 7 de maio, numa reunião de três horas sem a presença do Secretário de Estado Marco Rubio, a quem classificou como contrário à América Latina e ao Brasil.
Segundo o presidente, no encontro, ele entregou quatro documentos a ao presidente norte-americano, incluindo um sobre comércio, para argumentar que os EUA não têm déficit com o Brasil e que os principais produtos americanos entram no País sem pagar imposto. Lula disse ainda que a visita foi bem-sucedida, citou a declaração de Trump sobre haver “química” entre os dois e afirmou que o bolsonarismo reagiu mal ao episódio.
“Eles foram lá. A família foi lá esta semana e foi conversar com o Marco Rubio. Porque aquela fotografia que tiraram… vocês viram? Aquilo era fotografia de campanha. Mas eles foram encontrar o Marco Rubio”, continuou. “E ontem (segunda, dia 1º), eu soube da notícia de que o comércio americano resolveu taxar o Brasil em 25%”.
Lula acusou aliados da família Bolsonaro de buscarem a interferência de um país estrangeiro em decisões brasileiras e afirmou que eles devem ser chamados de “traidores”.
O presidente comparou a situação à delação de Tiradentes, durante a Inconfidência Mineira, e questionou o que deveriam merecer aqueles que, segundo ele, pedem intervenção externa no Brasil.
