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© 2022 Amazonas Atual
Augusto Barreto Rocha

O erro da agroindústria no Amazonas

22 de janeiro de 2024 Augusto Barreto Rocha
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Agroindústria no Amazonas é um erro em muitas dimensões e um acerto para muito poucos e com ganhos potenciais pequenos. A atividade vocacional do Estado é associada com tecnologias de ponta, com a biotecnologia e não com a repetição dos erros cometidos noutras regiões do país, onde o bioma e a natureza são vagarosamente ou rapidamente destruídos por uma agricultura mecanizada, industrializada, não sustentável e produtora de commodities de baixo valor agregado.

A floresta em pé, com seu uso voltado para o crédito de carbono, o aproveitamento da biodiversidade, a ampliação da agroecologia, onde fazendas e produtores integram-se ao meio ambiente, com comunidades da região produzindo em meio à floresta, extraindo seus recursos naturais, fornecendo em um espaço de produção orgânica, com o selo Amazônia, com a origem controlada, com o potencial do georreferenciamento dos produtores, com a inspeção do Ministério da Agricultura e seu selo orgânico (que para muitos é um desafio obter), fornecendo em cadeias produtivas com a infraestrutura apropriada: aqui está a oportunidade.

Há espaço para permacultura, para a agricultura sustentável, como as lições que a Colômbia tem apresentado com seu café, que leva a uma cadeia de produtos do entorno, como cogumelos, alimentos para granjas, biogás e tantas outras soluções.

A grande oportunidade de adotarmos o Ecodesign refletido por David Orr, onde um meticuloso estudo de cadeias produtivas em um padrão responsável com o meio ambiente, poderemos alçar voos nunca considerados para a região, em um misto de respeito aos modos de vida tradicionais e o potencial da globalização exportadora.

O metabolismo biológico, discutido por William McDonough e Michael Braungart, onde integram-se cadeias produtivas respeitando o meio ambiente e o biodegradável de uma produção é insumo para outra poderá ser um caminho de uma agroecologia no Amazonas. Fora deste caminho, usaremos o hábito de ser colônia e de destruir nosso bioma, como já feito no passado em outras regiões do país, como no Cerrado, Caatinga ou Mata Atlântica para a produção de commodities de baixo valor agregado. 

O desafio que deveríamos assumir como sociedade é a recuperação de áreas degradas, enquanto é possível. A regeneração com a produção agroflorestal, a permacultura, o desenvolvimento de empresas de capital regional, com a adoção de novas tecnologias é uma grande oportunidade, ao invés de atrair multinacionais para a produção extensiva de monoculturas. Precisamos assumir uma liderança do pensamento sustentável real, ao invés de sujar a palavra e as mãos com um novo rastro de destruição no Amazonas.

Há uma emergência ambiental e teremos que tomar cuidado com as diretrizes que optaremos no presente, para que não tenhamos a decisão de ir contra o que já está construído de uma cadeia industrial de alta tecnologia. Ampliar o uso científico da floresta, com laboratórios de alta tecnologia – e aqui fará sentido a presença de multinacionais – para o desenvolvimento de alta tecnologia, em cooperação com os atores locais, saindo dos artigos científicos para os mercados.

Precisamos juntar os esforços sobre o desconhecido e alcançar novos patamares financeiros e produtivos, ao invés de caminhar estradas de uma já conhecida destruição.


Augusto César Barreto Rocha é doutor em Engenharia de Transportes (COPPE/UFRJ), professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas), diretor adjunto da FIEAM, onde é responsável pelas Coordenadorias de Infraestrutura, Transporte e Logística.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos agroindústria, Amazonas, Amazônia, bioeconomia, preservação ambiental
Cleber Oliveira 22 de janeiro de 2024
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1 Comment
  • Fernando Silva disse:
    28 de janeiro de 2024 às 08:58

    Excelente artigo! Bem elaborado, concatenado com a nossa realidade amazônica e principalmente com o nosso Amazonas, infelizmente tão distante de tudo. “ o meticuloso estudo das cadeias produtivas “‘ será fator primordial nesse processo de desenvolvimento sustentável. O conhecimento técnico e científico tem que forçar a debandada dos “achismos”, identificando com clareza e com honestidade os diversos elos dessas cadeias , suas potencialidades locais, duas necessidades , para , com esses elementos , nortear políticas públicas perenes e não somente com alcance nas próximas eleições. Parabéns!

    Responder

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