
MANAUS – Estamos na semana do Meio Ambiente e neste dia 5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente. As agressões ambientais estão afetando a vida da população, causando sofrimento, principalmente aos mais pobres.
O Dia do Meio Ambiente foi instituído pela ONU, em 1972, para chamar atenção sobre os problemas ambientais e a importância da preservação dos recursos naturais.
Mas passados mais de 50 anos, tudo indica que tudo piorou e as mudanças climáticas influenciadas pelas ações de interesses econômicos estão causando desastres ambientais cada vez maiores.
No Rio Grande do Sul estamos vendo as consequências dessas mudanças. As intensas chuvas e enchentes entre final de abril e início de maio deste ano deixou cidades arrasadas, centenas de mortes, prejuízo incalculável para a economia e muito sofrimento.
No Amazonas, tivemos as maiores enchentes nos últimos 10 anos e também a maior seca em 2023 em mais de 100 anos de medição. E tudo indica que vai ser assim todo ano.
Mesmo assim, os governos Estadual e Municipal, colocam pouco recursos nos orçamentos para ações de prevenção.
O Papa Francisco lançou em 2015 a carta Laudato Si, Louvado Seja, enfatiza a necessidade de cuidar da Casa Comum, o planeta terra, criticando o consumismo e desenvolvimento a qualquer custo, com impactos ambientais, devendo ser combatido a degradação ambiental.
Em 2019, o Papa Francisco realizou o Sínodo para a Amazônia, e lançou o documento Querida Amazônia, onde enfatiza a importância da preservação ambiental e garanta a vida e saberes dos povos amazônicos.
Por isso, tem questões que a população precisa ser ouvida e participar. Em Brasília, muitos projetos permitem mais agrotóxicos na produção de alimentos, contaminando e prejudicando a população, florestas e águas. Tem projeto para aumentar o desmatamento na Amazônia.
No Amazonas, projetos de exploração de gás, petróleo, minérios, como silvinita, potássio, estão sendo aprovados, com licenciamentos ambientais duvidosos e sem ouvir a população indígena. O garimpo contamina os rios com mercúrio e empobrece os trabalhadores.
Em Manaus, o aterro sanitário vai continuar crescendo na entrada da cidade por mais alguns anos e sem uma política de coleta seletiva, reaproveitamento e reciclagem de lixo e resíduos sólidos. Todos os igarapés em áreas urbanas de Manaus estão contaminados, e isto está sendo ampliado para áreas de expansão e rural.
Apesar de altos orçamentos dos governos para publicidade e comunicação, muito pouco é utilizado para educação ambiental, que deveria começar nas escolas, mas envolver toda a população.
Os desastres ambientais atingem muito mais os mais pobres, que em muitas situações perdem tudo. Por isso, a responsabilidade para cuidar, preservar o meio ambiente é de todos, mas o Poder Público tem papel maior, pois tem os recursos públicos na mão.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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