SÃO PAULO – Quantas vezes você já foi ao largo de São Sebastião escutar as apresentações gratuitas dos nossos artistas amazonenses? Quantas vezes você acessou o clipe de um dos nossos artistas barés no youtube? Quantas vezes fez campanha, montou fanclub ou incentivou alguém de fora do estado a escutar as nossas músicas? Aposto que serão poucas as respostas positivas. “Ah, mas são músicas chatas”, indagou um amigo quando eu comentei que escreveria sobre o assunto, pedi que ele listasse três artistas amazonenses, eu não fiquei surpresa quando ele não soube citar ao menos um. A gente têm a triste tendencia de não conhecer o que é nosso e pior que isso, não valorizar a nossa cultura, aquilo que nos representa. É como se identificar-se não fosse tão importante assim.
A contrapartida as empresas estão cada vez mais interessadas na valorização local. Não são poucas as marcas amazonenses que estão investindo pesado na cultura popular amazonense. Aos poucos eles foram entendendo a importância dessa identificação para que o comércio e o turismo pudesse crescer. São restaurantes com temática amazonense, cardápios recheados de comidas do norte, camisas ilustrando as nossas frases, mas quando essa conscientização vai chegar no caboclo, aquele que está em sua casa valorizando a música do sul e sudeste e ignorando a nossa? A resposta é a quantidade de influenciadores amazonenses que estão preocupados com essa falta de identificação.
O Blog “Valoriza Sim” que estreou essa semana é um exemplo de influência digital que promete impulsionar esse sentimento, a “valorização”. Fernanda Farias, Jornalista e idealizadora do blog afirma que por ter uma ligação forte com a Amazônia teve a ideia do blog para incentivar o Amazonense a gostar da sua cultura, “o Blog nasceu com essa missão de incentivar o amazonense ser turista e apreciador da sua própria cultura. Quero mostrar que nossa cultura é uma das mais ricas do mundo, e por isso muito visada mundialmente, só não vê quem não quer, nesse caso, quem tá perto, quem vive, quem convive com essa cultura. Mas tenho esperança que o sentimento de pertencimento dentro da cultura amazônica faça parte, um dia, da vida de todo amazonense, porque para valorizar algo é preciso, antes de tudo, conhecer”.
