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Variedades

‘Nunca usei e nunca vou usar’, diz Djavan sobre a Lei Rouanet

21 de novembro de 2018 Variedades
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Djavan cantor
Há pelo menos 15 anos Djavan faz música e letras, toca, canta, produz, faz os arranjos (Foto: Reprodução/ Facebook)

Por Thales de Menezes, da Folhapress

RIO DE JANEIRO, RJ – Num momento em que se discute mudanças ou até a extinção da Lei Rouanet, de incentivos fiscais a quem dá apoio a projetos culturais, Djavan lança mais um álbum sem esses recursos.

“Nunca usei e nunca vou usar. Não gosto de fazer show nem para prefeituras. Quem vai pagar? Se é o povo eu não quero. Rejeitei muito convite. Eu nunca usei porque não preciso e não acho que eu deva usar um dinheiro que pode ser melhor aplicado.”

Mas ele defende o mecanismo. “Acho que tem muita gente que precisa ser ajudada pela Lei Rouanet. O Brasil é enorme, precisa de cultura em todos os quadrantes. O povo precisa usufruir disso. Faz sentido. Não reclamo de quem usa. Eu é que peguei para mim a coisa de não recorrer à Lei Rouanet.”

Djavan sente que sua vida profissional sempre correu com muita independência. “Sempre fui um pouco à margem. Teve a turma da Bahia, de Pernambuco, do Ceará, mas não teve a turma de Alagoas. Fui sempre meio sozinho nessa trajetória. Eu nunca atrelei a minha carreira ao mercado, nunca foi preponderante no meu fazer. Sempre ignorei o mercado, corri por fora.”

Há pelo menos 15 anos Djavan faz música e letras, toca, canta, produz, faz os arranjos. Entre os grandes da MPB, foi o primeiro a partir para a produção independente, criando a gravadora Luanda, em 2001.

“Eu tinha produtores, todos eles ótimos, competentes, mas havia incompatibilidade. Porque o produtor leva o disco para onde ele quiser, independente do que foi gravado. Essas questões começaram a me mostrar a necessidade de eu mesmo produzir os discos.”

Com os arranjos, Djavan enfrentava constrangimentos com parceiros. “Eu chamava às vezes amigos talentosos, que faziam arranjos lindos, mas completamente inadequados para o que eu queria. Cheguei a gravar alguns, contra a minha vontade, só para não desagradar o amigo. Assim, para evitar essa saia justa, passei a produzir e arranjar.”

Seu nome não é visto nas escalações dos festivais de música no Brasil. “Fiz muito fora do país, mas essa minha ‘escassez’ nos festivais brasileiros está relacionada com a dificuldade de encaixar minha proposta musical nesses eventos.”

“O Rock in Rio, o Festival de Verão de Salvador, são importantes, mas sempre tem uns entraves para mim. São ligados às TVs, e aí as emissoras não pagam direito de imagem.”

Djavan destaca também a questão dos patrocínios dos festivais.

“Eu nunca tive patrocinador, nunca quis ter, nunca cedi minhas músicas ou minha imagem para nada. Não sei explicar, não acho que é puritanismo ou porque eu seja diferente, é porque eu nunca precisei. Se posso abrir mão, prefiro não ouvir a minha música vendendo um produto.”

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Assuntos Djavan, lei Rouanet
Redação 21 de novembro de 2018
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