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Política.

‘Não é meu papel construir maioria para o governo’, diz Marcelo Ramos

26 de abril de 2019 Política.
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Marcelo Ramos deverá reunir apoio para relatoria do projeto (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
Marcelo Ramos deverá reunir apoio para relatoria do projeto (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
Por Thiago Resende e Angela Boldrini, da Folhapress

BRASÍLIA – O presidente da comissão especial que analisa a reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM), afirmou que não atuará como articulador da proposta. “Ter maioria não é tarefa minha”, afirmou à reportagem nesta quinta-feira, 25.

Ramos faz parte do grupo de descontentes com o governo. Seu partido, o PR, é um dos que mais tem feito críticas à articulação da gestão Jair Bolsonaro. Apesar disso, diz que sua responsabilidade com a Previdência supera antipatias.

O presidente alfinetou o PSL, que teria criado clima ruim na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) com seus discursos. “Não vai caber a mim aconselhar quem é líder do governo no Congresso, ou quem é da bancada do presidente, mas eu acho que eles têm que refletir que mais importante do que tentar ter razão ou falar para as redes sociais é ter a proposta aprovada”, afirmou.
*

Na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o presidente, Felipe Francischini (PSL-PR), teve papel fundamental na articulação política a favor da reforma. O sr. assumirá uma função semelhante?

Me parece que na comissão especial há um consenso maior. Não em torno do governo, mas em torno da proposta. Eu não faço nada pelo governo. Eu não ajudei a aprovar a reforma na CCJ pelo governo. Eu ajudei pelo Brasil. Não posso e não é meu papel constituir maioria para o governo. O meu papel é criar um ambiente para que a proposta chegue a ser votada.

O PR já se posicionou contra o endurecimento das regras de aposentadorias para professores. O sr. acha que esse tema vai ser excluído da proposta?

Talvez na comissão especial, não. Mas no plenário, sim. Eu acho difícil que o governo tenha mais de 346 votos no plenário. Sem os votos do PR, essa questão dos professores deve cair. Hoje a maioria da Casa não é oposição nem governo. A maioria da Casa são os independentes. Isso é muito bom para a democracia.

Qual a sua previsão de data para que a PEC seja votada?

Eu não tive tempo para preparar um calendário. Eu ainda vou fazer o plano de trabalho.

Se o governo pedir para acelerar a votação, isso será possível?

O problema é que o governo tem que mandar o pedido de votação e mandar os votos também. Eu só coloco para votar quando tiver certeza que [a PEC] não vai ser derrotada. Eu tenho responsabilidade com o país.

A oposição deve atuar para obstruir e atrasar a votação. Como o sr. vai conduzir os trabalhos?

Eu conversei com eles e falei que eu vou permitir todos as obstruções do regimento, mas não vou permitir a quebra da autoridade e não vou permitir que coloquem a votação da matéria em risco. Ela será votada. Não estou dizendo que ela será aprovada, porque ter maioria não é tarefa minha.

Na CCJ incomodou o centrão que o PSL estava alongando a discussão. O sr. pretende dialogar para evitar essa “obstrução governista”?

Eu acho que o problema menor é que o tempo que eles falam, o maior é que eles criam um ambiente ruim dentro da comissão. Não vai caber a mim aconselhar quem é líder do governo no Congresso, ou quem é da bancada do presidente, mas eu acho que eles têm que refletir que mais importante do que tentar ter razão ou falar para as redes sociais é ter a proposta aprovada. Tem que ter bom senso.

Como construir maioria? A comissão é mais pró-reforma?

Quem tem maioria hoje é o centro, não é o PT nem o PSL. São os partidos independentes que vão aprovar ou não a reforma. A comissão é esmagadoramente pró-reforma, o problema é que reforma da Previdência é um tema em que todo mundo é a favor até que tenha proposta.

Capitalização sai com certeza ou o governo pode negociar?

O Bolsonaro já disse que pode tirar! Quando ele disse que podia tirar, ele tirou. Até porque não pode um presidente que mandou a proposta ser o bonzinho que tinha e nós que recebemos sermos os maus que vamos colocar. Não existe isso.

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Assuntos Bolsonaro, Marcelo Ramos, Previdência
Redação 26 de abril de 2019
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